16 de agosto de 2026
WhatsApp Image 2026-08-16 at 07.14.33

No livro  Audição, o viúvo Aoyama decide buscar um novo amor por meio de uma falsa audição de cinema e se apaixona pela misteriosa Assami. O relacionamento, porém, revela-se cada vez mais perturbador e perigoso, misturando desejo, obsessão e paranoia. Publicado em 1997, o romance de Ryū Murakami aborda misoginia, objetificação feminina e os aspectos sombrios da mente humana. A obra tornou-se referência do psychothriller japonês e ganhou uma premiada adaptação cinematográfica dirigida por Takashi Miike.

…..

Desde a morte de sua esposa, há sete anos, o documentarista Aoyama não namorou mais ninguém. Um dia, até mesmo seu filho adolescente, Shiguehiko, sugere que o viúvo de meia-idade se case de novo. É então que seu melhor amigo, o produtor de TV Yoshikawa, propõe um plano equivocado: realizar testes para um filme que pode nunca vir a existir, mas que também pode transformar a vida de Aoyama e quem sabe ajudá-lo a encontrar o seu futuro amor. Entre as milhares de candidatas que se inscrevem na audição de elenco, Assami Yamassaki, uma ex-bailarina, é quem desperta algo no coração adormecido de Aoyama, não só pela sua beleza, mas sobretudo por compartilharem a mesma opinião sobre luto e aceitação das dores da vida.

Apaixonado pela natureza frágil e pelo sorriso nervoso de Assami, Aoyama ignora seu crescente sentimento de desconforto e advertências dos amigos e entrega-se aos deleites da fantasia com a jovem cercada de mistério. O tão desejado relacionamento amoroso parece florescer quando ele se coloca na fronteira do perigo e do prazer, mas, nessa trama em que a razão é obscurecida pela compulsão, as consequências são imprevisíveis. Em Audição , Ryū Murakami apresenta seu romance mais perturbador, ambientado na cidade de Tóquio na década de 1990, e mostra por que é considerado o mestre do psycothriller no Japão.

O autor japonês começou a publicar romances nos anos 1970, mas foi a partir do início deste século que sua crítica ao mundo pós-moderno começou a ganhar atenção no Ocidente, sobretudo por abordar o custo cultural e psicológico da modernização do pós-guerra. Haruki Murakami ― considerado um dos autores mais importantes da atual literatura japonesa, com obra premiada e traduzida para mais de quarenta idiomas ― é um grande admirador da obra de Ryū, admite sua influência direta e também ressalta a sua voz transgressora para a literatura japonesa contemporânea.

Publicado originalmente em 1997 e definido pelo escritor escocês Irvine Welsh, autor de Trainspotting (1993), como “uma parábola do medo masculino diante da sexualidade feminina”, Audição aborda temas relevantes como misoginia e objetificação das mulheres na sociedade japonesa e ganhou uma elogiada adaptação para o cinema em 1999, dirigida pelo diretor Takashi Miike.

Entre a paranoia e a realização dos desejos mais abjetos e recônditos que habitam a alma humana, Audição abala profundamente nossa zona de conforto e nos leva a questionar os limites do aceitável, ao mesmo tempo em que nos convida a lançar novos olhares para a dimensão mais profunda de nossa estrutura mental e psíquica.

Ninguém sai ileso desta obra-prima de Ryū Murakami . Um romance poderoso e transgressor capaz de mostrar em linhas tortas a faceta mais sinistra do amor.

NAS TELONAS

O mestre do psycho thriller japonês está em casa. Audição é uma das obras mais perturbadoras de Ryū Murakami, lidando com temas como misoginia, feminismo, abuso, traumas e tortura. O clássico do terror foi publicado originalmente em 1997 e ganhou o mundo com a adaptação para as telonas em 1999 pelo cineasta Takashi Miike. Mesmo publicada há mais de 25 anos, a obra de Murakami se mantém atual ao abordar o medo masculino diante da sexualidade feminina, como definiu Irvine Welsh, autor de Trainspotting. Esse pesadelo digno de David Lynch coloca leitores e leitoras no limite, provocando questionamentos do que pode ser considerado aceitável nas linhas sinistras do amor.

Tanto o livro como o filme causaram furor na época de seus respectivos lançamentos e ainda nos dias de hoje, rendendo debates e reflexões sobre qual seria a intenção ou a lição pretendida pelo autor.

WhatsApp Image 2026 08 16 at 07.17.41
Créditos: Lions Gate Home Entertainment

 

Para aguçar ainda mais a curiosidade dos darksiders sobre essa obra perturbadora, a Caveira separou alguns fatos interessantes sobre Audição:

1. Um terror que não parece terror

Quem se desvenda pelos pesadelos de Audição pela primeira vez pode até questionar a classificação como uma história de terror, uma vez que os dois primeiros atos são mais semelhantes a um romance tradicional, passando pelas audições e a construção do romance entre Aoyama e Yamassaki — embora alguns alertas já surjam por aqui.

A ação acontece mesmo no terceiro ato, por isso o leitor não irá se incomodar muito com o ritmo acelerado do escritor na primeira metade da história. As sutilezas da narrativa são substituídas por acontecimentos muito mais chocantes e perturbadores, entregando o terror tão almejado por quem se aventura por uma história de Murakami.

No Japão, o longa Audição nem é considerado um filme de terror, pois lá eles entendem que o gênero precisaria de algum elemento sobrenatural, o que não é o caso da história de Murakami. No ocidente, produções de terror abrangem características mais diversas.

2. Há diferenças pontuais entre livro e filme

Como acontece em boa parte das adaptações, o filme Audição tem suas diferenças do original. O principal motivo está na interpretação e na intenção do cineasta: Takashi Miike entendeu que o livro era uma carta de amor a uma mulher, por isso, o roteiro foi construído de tal forma que configurasse uma resposta da mulher a quem a carta teria sido enviada.

Detalhes da vida de Asami, que estão no livro, não são mencionados no filme, deixando a história de fundo da personagem um tanto vaga. Outra diferença importante está no final, principalmente no momento em que o filho de Aoyama interrompe a sessão de tortura à qual o pai está sendo submetido e a brutalidade com que um dos personagens morre.

3. A obra é considerada feminista e misógina ao mesmo tempo

A crítica enxergou tanto misoginia como feminismo em Audição. Na primeira parte, é explorada a visão sexista de Aoyama, como os critérios elencados por ele para escolher sua noiva e a própria audição falsa que ele criou para conhecê-la — lembrando os famosos “testes do sofá” da indústria do entretenimento.

Quando a narrativa migra para a tortura infligida por Asami, a vingança da personagem é interpretada como um ato feminista e de crítica ao patriarcado japonês como um todo. Algumas interpretações ainda entendem que a obra seja sobre o medo masculino da sexualidade feminina.

4. O filme causou sensação em um festival (para o bem e para o mal)

Embora tenha sido lançado em outubro de 1999 no Vancouver International Film Festival, o longa conquistou fama mundial após sua exibição no Rotterdam International Film Festival, nos Países Baixos, no início de 2000. A produção ganhou o prêmio FIPRESCI, concedido por um júri de jornalistas internacionais.

De um lado a aclamação, do outro as polêmicas. Foi no mesmo festival de Rotterdam que o filme ganhou a fama de ter observado um número recorde de pessoas que abandonaram a sessão e de pessoas xingando pessoalmente o diretor Takashi Miike após a exibição. Já na Suíça, há relatos de espectadores que desmaiaram e precisaram de assistência médica durante a exibição do filme.

5. O longa é considerado uma influência do torture porn

Odiado por muitos, aclamado por quem é do meio. Audição é um filme que consta na lista de filmes preferidos de cineastas como Quentin Tarantino e Rob Zombie. Suas cenas gráficas de tortura são consideradas precursoras do torture porn, termo criado pelo crítico de cinema David Edelstein para descrever produções como Jogos MortaisRejeitados pelo Diabo e Viagem para o Inferno, que se baseiam em cenas chocantes para causar sensações na audiência.

A influência de Audição em cineastas norte-americanos chega a ser tão literal, que o cineasta Eli Roth afirmou ter filmado O Albergue por causa da produção japonesa. O cineasta Takashi Miike até faz uma aparição no longa, como um dos clientes satisfeitos do estabelecimento de tortura.

Fonte: Amazom e Dark Side

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *