22 de maio de 2026
p.3 - Fim da escala 6x1 tem apoio popular e impacto econômico limitado, indicam pesquisas

Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

O debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos para folgar apenas um, ganhou força no Brasil e é defendido pelas centrais sindicais como medida para melhorar a qualidade de vida, reduzir adoecimentos, aumentar a produtividade e gerar empregos.

Pesquisas recentes indicam que o fim da escala 6×1 deixou de ser apenas uma pauta sindical e passou a ter forte apoio popular no Brasil. O ponto central, porém, é claro: a maioria dos brasileiros defende a redução da jornada desde que o salário seja mantido.

Levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 quando não há redução salarial. De forma geral, 63% disseram ser favoráveis ao fim do modelo, mas o apoio cai para apenas 28% quando a mudança envolve perda de renda. A mesma pesquisa mostrou ainda que 84% defendem que os trabalhadores tenham pelo menos dois dias de folga por semana.

A pesquisa da Nexus ouviu 2.021 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as unidades da Federação, entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro de 2026. O levantamento também revelou que 62% dos entrevistados já tinham ouvido falar do debate, mas apenas 12% afirmavam entender bem a proposta.

Outro levantamento, do Datafolha, mostrou avanço no apoio à redução da jornada. Segundo a pesquisa divulgada em março de 2026, 71% dos brasileiros defendiam a redução do número máximo de dias de trabalho na semana, contra 27% que eram contrários. No fim de 2024, esse apoio era de 64%, o que indica crescimento da adesão popular ao tema.

A Genial/Quaest, em pesquisa divulgada em maio de 2026, também apontou maioria favorável: 68% dos brasileiros apoiavam o fim da escala 6×1, com semana de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso, sem diminuição salarial. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 8 e 11 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O recorte regional da Quaest é importante para o Nordeste: a região registrou o maior apoio do país, com 72% dos entrevistados favoráveis ao fim da escala 6×1. O apoio também é mais forte entre os brasileiros de menor renda: entre quem recebe até dois salários mínimos, 70% defendem a mudança.

Estudos do Ipea indicam que o impacto econômico da mudança seria limitado, com custo operacional inferior a 1% em setores como indústria e comércio. Já levantamento do Dieese aponta que, entre bancários, a jornada de quatro dias poderia criar mais de 108 mil vagas.

Especialistas também defendem que a redução da jornada pode permitir mais tempo para estudo, saúde, lazer e convivência familiar. A discussão ocorre em meio às transformações provocadas pela inteligência artificial no mercado de trabalho, que podem aumentar desigualdades sem políticas de qualificação.

Outro estudo, da pesquisadora Marilane Teixeira, da Unicamp, aponta que a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, com o fim da escala 6×1, poderia gerar até 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade em cerca de 4%. A conclusão do dossiê citado é que o Brasil teria condições econômicas e tecnológicas para trabalhar menos sem comprometer o crescimento.

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