8 de maio de 2026
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Por José Oberdan Leite, professor
Ela abria a boca pra falar e a variação instantânea da função do silêncio reinava. Possuía uma base de potência de conhecimento diversificada e variável quando se referia à matemática. Ela era detentora de um grande conhecimento, como também detentora de uma incógnita: quando se tratava de uma operação de repasse de assunto, ela era o elemento que não tinha influência no resultado final. Seu conhecimento se tornava o elemento neutro do processo. Não sabia fazer bem o repasse de seus assuntos. Os números inteiros de sua metodologia de ensino não se multiplicavam numa equação de resultados de aprendizagem satisfatória dos alunos. Os alunos não conseguiam entender o assunto ensinado por mais vezes que fosse. A sua didática de multiplicação de conhecimento era uma subtração contínua.

Certa vez, ao ser questionada sobre o problema, a professora respondeu:

– Eu só sou professora, não sei obrar milagres, não. Só uns 30% daquela sala tem conhecimento de matemática básica e eu tenho que, no final do ano, encerrar o livro. O problema deles vem desde o 6° ano sem matemática básica. E quanto a isso, eu não posso fazer mais nada.

Deu pra sentir no conteúdo de suas palavras que dois mais dois só podiam ser quatro. Ela não conseguia repensar sua didática e repensar um resultado cinco no final. Isso me fez regressar às palavras de um velho colega de labuta, professor de história, em que ele dividiu comigo a opinião de que todo dia é dia de reciclagem de conhecimento do professor. Dizia ele que quando o professor achar que seu conhecimento já é suficiente para o êxito de aprendizagem de sua turma, ele deve repensar aquele dia e se reconstruir para o dia seguinte. E afirmava:

– Meu amigo, tanto o professor quanto o aluno carecem todo dia de aprendizagem e não só de ensino. Se qualquer um de nós não se renova, acaba perdendo para os interesses estratégicos do capitalismo calculista e invasor que procuram manter a nossa educação escolar subordinada aos seus interesses.

Relembrando a nossa conversa e associando às opiniões da professora tecnicista de matemática, reforcei o meu aprendizado: se os alunos não aprendem do meu jeito de ensinar, é porque preciso mudar para o jeito de aprender deles. E assim, reformulamos nossa didática em sala de aula. Creio que isso seja a construção de identidade do aluno e do professor no processo contínuo e permanente do ensinar e do aprender.

 

Moral: Saber o assunto e não saber transmiti-lo é um saber tão egoísta quanto inútil.

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