
COLUNA O VERBO FEMININO
POR ÍRIS TAVARES
Existe uma expressão popular que indaga: “com quantos paus se faz uma jangada?” Penso ser bastante oportuno para nossa reflexão de hoje, nos valer dessa máxima, considerando a delicadeza política que o conteúdo do nosso artigo requer. Os últimos dias do mês de março e os primeiros dias de abril foram um alvoroço só. O motivo de todas as especulações possíveis e imagináveis no cenário político estadual, correu em face do estreitamento temporal da janela partidária, ou seja, o momento final para definição das candidatas/os definirem a organização partidária, na qual concorrerão aos cargos eletivos no sufrágio de 2026, quer sejam a eleição ou a reeleição.
Mais qual é a relação da construção de uma jangada com esse tema político? A comparação é simples e guarda em si um simbolismo muito precioso sobre a natureza da nossa liderança política, do seu compromisso, do seu atravessamento nas lutas e de sua leitura de mundo. É a capacidade de se manter firme deslizando sobre as águas turbulentas, quer sejam em mar revolto e/ou na superfície serena de uma lagoa. No Ceará a jangada é símbolo de liberdade e de resistência. Foi assim que ela atravessou o Mar Mediterrâneo com a alma transbordando de amor e solidariedade, acenando com a liberdade para o povo palestino.
Essa mulher plantou a sua história ao longo de mais de três décadas no Partido dos Trabalhadores, sempre à esquerda mais ousada e a frente do nosso tempo dialogando, liderando e esperançando. Sempre pensando a política com o P maiúsculo. Sempre atenta e resoluta com as questões coletivas. “Colocar o mandato a serviço da luta pelos direitos humanos é uma obrigação.”
A sua generosidade e solidariedade me marcou profundamente, pois em um dos momentos mais difíceis da minha experiência no parlamento estadual, na primeira década de 2000, a companheira já prefeita de Fortaleza, esteve comigo me emprestando a sua força e coragem, pois naquele episódio o nosso mandato estava sendo ameaçado de cassação por perseguição política. Eu havia sucedido a deputada Luizianne na presidência da Comissão de Direitos Humanos da ALECE. Estava a frente e conduzindo duas questões, o Escritório do Crime com sede em Juazeiro do Norte e responsável pelos crimes bárbaros contra as mulheres no Cariri, o crime de pedofilia na cidade de Milagres. Em ambos os crimes havia envolvimento de várias figuras públicas, incluindo o prefeito. A companheira me abraçou e sussurrou ao meu ouvido. “Levante sua cabeça. Você é uma pessoa digna, uma guerreira e merece todo nosso respeito. Eles não vão lhe derrotar”.
A sororidade eu aprendi com a companheira Luizianne Lins e agradeço a ela por todos os ensinamentos e cuidados que são indispensáveis a nós mulheres que ocupamos os espaços da política. Por isso aprendemos juntas e quando conseguimos galgar um degrau a mais é a outra mulher, a nossa igual que devemos segurar a mão e traze-la conosco. Importante ressaltar algumas falas da nossa companheira. “A violência política de gênero ela é uma caracterização naturalizada pelo patriarcado brasileiro. Se hoje só temos quinze por cento de mulheres nos parlamentos significa que não temos uma democracia completa”. “Nós temos que acordar de manhã sabendo que nós vamos lutar contra o machismo. Nós vamos dormir sabendo que outro dia a gente acorda de novo e começa tudo de novo”. “Resistir é preciso e é o que temos feito”.
Salve a REDE Sustentabilidade que, hoje, acolhe e cuida da mulher que é maior liderança feminina do Ceará e do Nordeste brasileiro. Seguiremos juntas na luta, até que todas nós mulheres sejamos livres e emancipadas.