7 de março de 2026
p.20 - Chuva, água e promessa inundam Juazeiro do Norte

Morador, em 2022, precisou usar barco para atravessar via inundada após a chuva em Juazeiro do Norte no bairro Lagoa Seca | Foto: Claudiana Mourato/SVM

Em março de 2023, uma foto mostrava o alagamento da avenida Leão Sampaio e das ruas do entorno, principais acessos de mobilidade urbana de Juazeiro do Padre Cícero. Naquela ocasião, a reportagem do G1 abordava a situação da infraestrutura da urbe. Todavia, ressaltava a vitória da prefeitura que, por meio de agravo de instrumento, conseguiu reverter a decisão do Tribunal de Justiça do Ceará, que no ano de 2022 havia decidido pela suspensão do contrato. Ao recorrer da decisão, a prefeitura fez valer a revogação do contrato de empréstimo para as obras. Naquela reportagem ficou registrado a declaração do prefeito Gledson Bezerra. “Juazeiro padece, historicamente, durante o período de chuvas, devido à ausência de saneamento e drenagem. Agora, podemos trabalhar para a solução desse problema”.

Pergunto as leitoras/es se sabem do valor desse contrato de empréstimo? São US$ 80 milhões entre o município de Juazeiro do Norte e a Corporação Andina de Fomento (CAF). Tem juros sim! E, quanto mais tempo levar para execução/aplicação dos recursos, mas os juros crescerão. Quem vai pagar essa conta? Nós as cidadãs/ãos de Juazeiro do Norte.

Passaram-se três anos e desde então nada mudou. Nessa última semana de janeiro de 2026, testemunhamos a agonia e o desespero de muitas pessoas, diretamente, impactadas com os estragos causados pelas chuvas medianas que caíram sobre a nossa cidade. Prejuízos materiais com veículos automotores, crateras, deslizamento de casas e o sentimento de indignação, mediante a ausência de saneamento no território que abriga a segunda maior população do estado do Ceará, sendo este a sede do turismo religioso do nordeste brasileiro. Isso é sustentável?

Aproveitei para averiguar o plano de governo do prefeito reeleito. Busquei exatamente a área de infraestrutura, saneamento e sustentabilidade. O documento está mais para uma prestação de contas da sua primeira gestão, do que um plano de governo que pudesse apresentar propostas sobre os principais dilemas que afligem os munícipes. A problemática deveria ser abordada no plano, considerando os eixos “Bem Cuidada”, “Qualidade de Vida” e “Rumo da Sustentabilidade” que não aponta nada sobre o padecimento histórico da cidade, frente a ausência de saneamento e drenagem, conforme a declaração do prefeito transcrita no primeiro parágrafo deste artigo.

Segundo fonte publicada no Diário Oficial do Município (DOM), com a previsão orçamentária para o exercício de 2026, cuja cobertura de R$ 1.7 bilhão, os recursos estão distribuídos nas áreas do serviço público. Escolhi o recorte que diz respeito as áreas mais diretamente envolvidas na questão da infraestrutura/saneamento. Para saúde R$ 375 milhões; para gestão ambiental R$ 81 milhões; para o saneamento R$ 11 milhões. Acredita? É isso mesmo! Os documentos oficiais não refletem o compromisso e nem a prioridade do atual gestor que prometeu resolver, ainda, no seu segundo mandato.

De todo modo ele é acostumado a se eximir das responsabilidades jogando nas costas do governo do estado atribuições que competem diretamente ao executivo municipal.