7 de março de 2026
A QUE CUSTO E QUANTO CUSTA A AUDIÊNCIA DO BBB?

Ilustração: Desenvolvido com o apio de IA

Tem um ditado que diz, “quanto mais a gente reza mais assombração aparece”. Penso que esse juízo pode ser aplicado na expectativa real das mulheres que se deparam cotidianamente com as violências. São assombramentos que remontam a história ocidental, palco central da rebelião das mulheres contra sua condição, que lutaram por liberdade e muitas vezes pagaram com suas próprias vidas. A Inquisição da Igreja Católica foi inflexível com qualquer mulher que protestasse os princípios por ela pregados como dogmas insofismáveis. Desde a Antiguidade ao mundo contemporâneo as mulheres são alvos de todo tipo de exploração. O patriarcado e o capitalismo se uniram num preito impiedoso ao longo dos séculos.

Então, como é que o Big Brother Brasil entra nessa história? Com mais de duas décadas de instalação, a Casa BBB está na sua 26° edição, e, tem piorado muito desde o seu lançamento em 2002. A premiação em dinheiro é a maior motivação para os participantes que se sujeitam aos comandos e ao regramento impostos pela direção do espetáculo e/ou do “reality show”, todavia é ali que tudo pode acontecer, onde a individualidade de cada participante é negociada e serve de barganha no tabuleiro do desejo e dos interesses dos detentores do capital que patrocina e determina os conteúdos que vão lhes render mais negócios, vendas e lucro. A ética, o respeito e a dignidade são ideias lembrados nas narrativas de alguns interlocutores, afinal o “reality” é exibido em horário nobre e adentra os lares de milhares de famílias. É com essa amplitude que o assédio televisionado convive no seio da sociedade brasileira, que anestesiada espera as cenas do próximo episódio.

Não estamos diante de um programa educativo, nem do trabalho humano que possa atuar com inteligência mediante as experiências vivenciadas no coletivo. Trata-se de um experimento solitário e de forte incentivo a disputa. É violento, principalmente para as mulheres. O assédio cometido pelo projeto de macho que Pedro Henrique Espindola representa é sem dúvida a perpetuação de práticas e comportamentos que servem para subjugar e expor as mulheres. É a retroalimentação de um modelo de sociedade, cuja desigualdade de gênero tem como base a disparidade de direitos, a superioridade dos homens no tratamento com as mulheres (e outros gêneros) numa sociedade, pautada em preconceitos e papéis sociais, e não nos aspectos biológicos. O homem em posição de privilégio e a mulher em inferioridade, afetando seu desenvolvimento em áreas como trabalho, educação, política e engendrando violência.

É imperdoável que a Globo e demais emissoras de comunicação estejam rendidas aos seus conteúdos que expõem e forjam mais ambientes de exploração e violência contra as mulheres. Não importa o tipo de violência, porque qualquer uma delas pode custar a vida de uma mulher. É inaceitável que os interesses capitais se sobreponham aos cuidados com as pessoas participantes desse show de horrores adotado pelos meios de comunicação.