
Incêndio teve início na última segunda-feira (6) na região de Puerto Patriada, área turística há 1.700 km de Buenos Aires | Reprodução
Um incêndio florestal de grandes proporções segue avançando pela Patagônia argentina e já destruiu mais de 5,5 mil hectares de vegetação — o equivalente a mais de 7 mil campos de futebol —, segundo autoridades locais. O fogo atinge áreas da província de Chubut, no sul do país, provoca evacuações e mantém pequenas comunidades em estado de alerta máximo.
O incêndio teve início na última segunda-feira (6) na região de Puerto Patriada, área turística localizada a cerca de 1.700 quilômetros de Buenos Aires, capital do país, e se espalhou rapidamente em meio a condições climáticas adversas. Até este sábado (10), as chamas permaneciam fora de controle.
A região de Epuyén, um vilarejo com pouco mais de 2 mil habitantes situado entre um lago glacial e áreas de floresta nativa, ficou cercada pelo fogo. De acordo com o governo provincial, ao menos 15 famílias precisaram deixar suas casas, e mais de dez imóveis foram destruídos. Cerca de 3 mil turistas também foram retirados de Puerto Patriada como medida preventiva.
Próximas horas serão decisivas, segundo governo local
Em publicação nas redes sociais, o governador de Chubut, Ignacio Torres, afirmou que as “próximas 48 horas serão decisivas” para conter o avanço das chamas, diante da previsão de altas temperaturas, baixa umidade e ventos, fatores que dificultam o combate ao incêndio.
A operação mobiliza cerca de 500 pessoas, entre bombeiros, equipes de resgate, forças de segurança e profissionais de apoio. O trabalho inclui ações terrestres e aéreas, com o uso de aeronaves, e deve receber reforços vindos de outras províncias argentinas e do Chile.
Além das equipes oficiais, brigadas comunitárias formadas por moradores da região atuam no enfrentamento do fogo. Em nota publicada nas redes sociais, a Brigada Patagônica afirmou que as equipes estão no limite físico e mental, diante da dimensão e da agressividade do incêndio, e destacou que muitas dessas brigadas dependem de doações para manter as operações.
Bombeiros que trabalham no combate às chamas afirmam que o cenário atual impõe desafios inéditos. Segundo os agentes, as mudanças climáticas na região andino-patagônica, com temperaturas mais elevadas e umidade reduzida, além da substituição de florestas nativas por plantações de pinheiros, contribuem para a rápida propagação do fogo.
As equipes também chamam atenção para o desgaste e a precarização das condições de trabalho. Os cortes de gastos públicos aplicados pelo governo de Javier Milei reduziram os salários dos bombeiros para valores entre 600 mil e 900 mil pesos argentinos, o que tem levado profissionais a abandonar a atividade ou buscar outros empregos.
Incêndio em 2025
O incêndio ocorre pouco mais de um ano após a Patagônia registrar os piores focos de fogo das últimas três décadas. Entre janeiro e fevereiro de 2025, incêndios florestais consumiram cerca de 32 mil hectares em diferentes áreas do sul da Argentina, segundo dados oficiais.
As autoridades seguem monitorando a situação e mantêm o alerta para o risco de novos focos nos próximos dias.
Fonte: Agenda do Poder