7 de março de 2026
p.6 - Leitura política do Ceará

 

O ano de 2025 foi marcado por intensas movimentações políticas no Ceará, desenhando um cenário de confrontos estratégicos, reconfigurações de alianças e disputas por espaço no tabuleiro eleitoral estadual e nacional. A política cearense segue influenciada tanto por lideranças tradicionais quanto por novos arranjos, refletindo a importância do estado no contexto político brasileiro.

ELMANO DE FREITAS

Como gestor do Ceará, Elmano de Freitas (PT) consolidou sua atuação focada em políticas sociais, infraestrutura e projetos de fortalecimento institucional. Em 2025, sua prioridade passou a ser estruturar a base política para apoiar a sua reeleição e garantir uma continuidade administrativa positiva para o eleitorado, especialmente em áreas como educação, saúde, segurança pública e desenvolvimento regional. No cenário sucessório, Elmano mantém forte diálogo com partidos aliados, buscando ampliar sua base para 2026. Sua estratégia tem sido, além de reforçar entregas de governo, articular alianças locais que possam dar sustentação à chapa majoritária e ampliar apoios no interior do estado, onde a política cearense muitas vezes se decide.

CIRO GOMES

O ex-governador Ciro Gomes, figura central da política cearense e nacional, continua sendo um dos atores mais influentes no estado. Em 2025, as movimentações em torno de seu nome refletem tanto sua presença política quanto à possibilidade concreta de disputar o governo do estado em 2026. Pesquisas internas têm apontado que Ciro mantém forte preferência em várias regiões do Ceará o que representa um fator desestabilizador para a aliança do campo governista.

MUDANÇA DE ROTA

Neste final de ano o União Brasil sofreu uma brusca alteração de comando. O partido no Ceará agora está sob o comando de Moses Rodrigues e Fernanda Pessoa. Os dois são filhos de dois prefeitos eleitos pela legenda em importantes cidades do Ceará:  Oscar Rodrigues (Sobral) e Roberto Pessoa (Maracanaú). O peso dos dois mandatos de deputado federal e as duas prefeituras pode ter surtido efeito pedido de Roberto Pessoa de querer ficar no União Brasil, mas desde que o partido fique na base aliada de Elmano de Freitas. Por enquanto, o prefeito de Maracanaú levou a melhor.

NOVOS PREFEITOS

Em 2025, ao menos cinco municípios do Ceará trocaram de governantes após a destituição de prefeitos eleitos em 2024 por decisões judiciais ou administrativas. Santa Quitéria foi a única cidade a realizar eleição suplementar. Em 26 de outubro, Joel Barroso (PSB) foi eleito para um mandato-tampão, tendo como vice Das Chagas (PSB). Ele é filho de Braguinha (PSB), ex-prefeito cassado pela Justiça Eleitoral por associação com a facção criminosa Comando Vermelho durante o pleito de 2024.

DISPUTA AO SENADO E OS NOMES EM CENA

A corrida pela segunda vaga ao Senado no Ceará concentra grande atenção política:

  • Moses Rodrigues (União Brasil): alinhado ao campo governista e indicado para comandar a Federação União Progressista no estado, articula sua permanência na base e a possibilidade de disputar o Senado, promovendo um perfil mais moderado e com apelo amplo.
  • Cid Gomes (PSB): outra liderança experiente, com peso político próprio, também aparece como opção estratégica dentro das negociações eleitorais do campo de centro-esquerda, mas já apontou que seu nome preferencial é Júnior Mano, seu colega de partido.
  • Eunício Oliveria (MDB): o emedebista tenta voltar ao Senado após a derrota em 2018. O MDB tem dito ao governador Elmano de Freitas que abre mão da vice-governadoria pela vaga do senado na chapa da base aliada.
  • Deputado José Guimaraes (PT): o parlamentar petista tem conseguido fortes aliados no interior do PT e da esquerda para apoiá-lo. Guimarães conseguiu aprovar seu nome como preferencial do PT e diz ter apoio do presidente Lula para essa empreitada.
  • Chiquinho Feitosa (Republicanos) é um outro nome da base aliada na disputa do senado. Corre por fora e tem boa relação tanto com Elmano de Freitas como com Camilo Santana.
  • Pastor Alcides (PL): o pastor que diz que parou de orar para o presidente Lula morrer é o nome preferencial do bolsonarismo para o senado. É pai do deputado federal André Fernandes.
  • Priscila Costa (PL) é outra pré-candidata do bolsonarismo. Tem apoio de Michelle Bolsonaro. Priscila Costa atualmente é vereadora de Fortaleza sendo a mais votada nas eleições de 2024. Já foi deputada federal suplente. Ela venceu as primeiras eleições em 2016, como vereadora pelo PRTB.

BOLSONARO E ALIANÇA COM CIRO

Surpreendentemente, observou-se em 2025 uma atenuação das fronteiras ideológicas tradicionais entre a direita bolsonarista e o campo cearense de centro, em especial no apoio a Ciro Gomes. Essa aproximação não significa alinhamento ideológico, mas indica que setores da direita tradicional — desconfortáveis com extremismos ou sem nome competitivo próprio — podem escolher apoiar Ciro como alternativa pragmática.

O PSB E CID GOMES

O PSB, partido ao qual Cid Gomes é filiado, tornou-se um pilar importante nas articulações estaduais. A legenda busca consolidar uma chapa forte que abrace tanto nomes tradicionais quanto renovados, mantendo a influência da família Gomes no tabuleiro político cearense. Cid Gomes, por sua vez, continua sendo figura de destaque e potencial fator de equilíbrio ou influência em eventuais alianças.

CONCLUSÕES POLÍTICAS: UM CEARÁ EM MOVIMENTO

O Ceará em 2025 não é um estado político estático. As movimentações demonstram:

✔ A importância da tradição política local — com Ciro e Cid Gomes ainda influentes.
✔ A habilidade do atual governo Elmano de Freitas em construir alianças amplas, mas desafiadas pela dinâmica eleitoral.
✔ A emergência de novos atores e a redistribuição de forças entre centro, esquerda e setores moderados da direita.
✔ A probabilidade de que as eleições de 2026 sejam altamente competitivas, com reconfiguração de alianças que nem sempre seguirão os padrões nacionais.

Em suma, a política cearense em 2025 demonstra que governo e oposição estão todos em plena articulação, refletindo um ambiente dinâmico que exigirá estratégia, mobilização social e diálogo constante com a população para definir os próximos capítulos da vida política do estado.