
Segundo Ismael, ele se aproximou do grupo para denunciar o que classificou como uso político da fé cristã por aliados do ex-presidente. Durante sua fala, afirmou que buscava “acabar com essa instrumentalização da fé” e defendeu que o Estado, e não a igreja, é responsável por garantir proteção aos mais vulneráveis. “A igreja acolhe, mas o Estado é quem tem a obrigação de proteger o pobre, a mulher e todos os cidadãos”, disse.
A reação foi imediata. O clima no local rapidamente se deteriorou, transformando-se em um tumulto generalizado. Ismael relatou ter sido cercado, empurrado e atingido por socos e chutes. A confusão aumentou quando um dos agressores, ao tentar derrubá-lo, caiu no chão, provocando ainda mais hostilidade. Em meio ao tumulto, alguém lançou spray de pimenta diretamente em seu rosto, deixando marcas e ferimentos.
Mesmo após a agressão, Ismael continuou criticando o que considera manipulação religiosa em discursos políticos. Ele acusou Bolsonaro e seus aliados de atentarem contra o Estado Democrático de Direito e responsabilizou o ex-presidente por mortes que, segundo ele, poderiam ter sido evitadas durante a pandemia. “Não podem falar em nome de Deus”, afirmou, reforçando que considera antiética a utilização da fé para blindar discursos extremistas.