7 de março de 2026
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Foto: Wagner Meier/Getty Images

Por Marcela Carneiro
Com formação em Pedagogia, Especialista em Educação do Campo (Pedagogia Histórico Crítica) pela Universidade Federal do Ceará – UFC

A 30ª Conferência das Partes da United Nations Framework Convention on Climate Change (COP30) está em pleno andamento em Belém, no Pará, Brasil. O encontro tem se revelado um momento histórico não apenas pelas negociações diplomáticas, mas pelo protagonismo da Amazônia e das contradições que emergem exatamente no cerne da crise climática.

1. Um palco simbólico e estratégico

O fato de a COP estar sediada na Amazônia já imprime um recado forte: a floresta tropical, os rios, as comunidades tradicionais e a biodiversidade não são apenas tema de debate, são ambiente vivo da conferência. O governo brasileiro fala em “COP da implementação”, ou seja: um evento para entregar resultados, não apenas prometer.

2. Contradições evidentes

Entretanto, a perspectiva dialética exige que olhemos para as contradições. Enquanto se celebra a Amazônia, ao mesmo tempo se constata que interesses de capital, extração, agronegócio, infraestrutura, pressionam essa mesma região. O dilema entre preservação e desenvolvimento econômico se cristaliza como tema central.

Como assinalado: “The 1.5 °C limit is a red line for humanity.”

3. Agência dos países em desenvolvimento e das comunidades vulneráveis

Na COP30, observamos como países em desenvolvimento e comunidades tradicionais, estão exigindo financiamento climático justo, transferência de tecnologia, reconhecimento de direitos territoriais e protagonismo na tomada de decisões. Exemplo: a atuação de Índia reivindicando que nações ricas cumpram seus compromissos.

4. A prática da organização social e da mobilização popular

Dentro desse contexto, cabe destacar que a crise climática não é abstrata: ela atinge pessoas reais, comunidades, territórios. A organização social, movimentos indígenas, ONGs ambientais, coletivos urbanos — aparece como força de resistência, de reivindicação e também de proposição de alternativas. A conferência se torna, portanto, não só um fórum de cúpulas, mas um espaço de luta simbólica e concreta. Por exemplo, manifestações indígenas durante a COP30 evidenciam isso.  

5. O momento é de transição, mas sob forte tensão

A COP30 acontece em uma encruzilhada: sabemos da urgência (reduzir emissões, adaptar-se aos impactos, proteger florestas e vidas), mas os mecanismos, os compromissos, as práticas ainda estão carregados de atraso, incompletudes e resistência. Em termos marxistas, poderíamos dizer que a base — as relações produtivas, de consumo, de extração — ainda está muito pouco transformada, e a superestrutura (leis, acordos, discursos) corre para alcançar ou legitimar mudanças que a lógica econômica dificulta.

6. Possibilidades realistas de mudança

Apesar das contradições, não falta esperança: a COP30 pode servir como marco de virada se os atores fizerem valer a agenda de implementação real, com instrumentos de financiamento, direitos de comunidades tradicionais, transição justa para trabalhadores e territórios, e integração da ciência com saberes locais. O evento é uma oportunidade para transformar discurso em ação, conflito em mobilização, destruição em regeneração.

Conclusão

A COP30 não é apenas mais uma conferência é, em certa medida, uma crise em combate e ao mesmo tempo uma chance de redefinir rumos. A Amazônia, as comunidades vulneráveis, as tensões entre capital e vida, entre infraestrutura e natureza — tudo converge nesse momento. A pergunta que paira é: vai prevalecer o ciclo de exploração ou emergirá um novo modo de convivência com a Terra e entre as pessoas?