7 de março de 2026
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O personagem Drácula é um dos mais icônicos da cultura pop. Quem não lembra quando criança os filmes, as histórias em quadrinhos com esse vampiro já retratado dezenas de vezes em filmes que nos davam sustos e ao mesmo tempo ficávamos a admirar esse personagem tão fascinante.

Publicado em 1897, o romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker, atravessou bem mais de um século sem perder o fôlego — nem o poder de fascinar. Misturando terror, suspense e histórias de amor o livro deu forma definitiva ao mito do vampiro moderno, transformando uma antiga lenda do leste europeu em um símbolo universal do medo, da sedução e do desconhecido.

A história começa com o jovem advogado Jonathan Harker, enviado à longínqua Transilvânia para tratar dos negócios do misterioso Conde Drácula, que planeja se mudar para a Inglaterra. O que parecia uma simples viagem de trabalho logo se transforma em pesadelo. No castelo sombrio, cercado de lobos e superstição, Harker descobre que seu anfitrião é uma criatura das trevas — um vampiro que se alimenta de sangue humano e desafia as leis da vida e da morte.

No castelo do vampiro o jovem Harker consegue escapar das criaturas que o perseguiam. Drácula parte rumo à Inglaterra, espalhando o terror e morte por onde passa. Suas vítimas, entre elas a jovem Lucy Westenra, são tomadas por uma estranha fraqueza que nem os médicos conseguem explicar. Surge então Van Helsing, o cientista que une razão e fé para enfrentar o mal. Ao lado de Harker, Mina e outros companheiros, ele embarca em uma verdadeira caçada que termina na Transilvânia, onde o conde é finalmente destruído.

Mais do que uma história de terror, Drácula reflete os temores da era vitoriana, marcada pelo avanço da ciência, pelas repressões morais e pelo medo do estrangeiro. O vampiro de Stoker é, ao mesmo tempo, um aristocrata elegante e um invasor que ameaça a ordem social. Sua sede de sangue pode ser lida como metáfora dos desejos reprimidos e das ansiedades de uma sociedade em transformação.

Escrito em formato epistolar — com cartas, diários e relatórios — o livro constrói o suspense passo a passo, como se o leitor também fosse um investigador. Essa técnica, inovadora para o fim do século XIX, ajuda a criar uma sensação de verossimilhança que faz o sobrenatural parecer possível.

Mais de cem anos depois, Drácula continua vivo. Inspirou filmes, peças, séries e incontáveis versões literárias, tornando-se um ícone da cultura popular. Sua figura atravessou gerações, assumindo novas formas, mas sem jamais perder o poder de inquietar. Afinal, como todo mito imortal, o vampiro de Bram Stoker não teme o tempo — apenas o sol.