6 de março de 2026
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Imagem: Vaticvan News

 

Na primeira exortação apostólica de seu pontificado, o Papa Leão XIV convoca a Igreja a reencontrar sua missão essencial: amar os pobres com gestos concretos e transformar o Evangelho em vida cotidiana. Com este documento assinado a 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, o Pontífice agostiniano segue assim os passos dos seus antecessores: João XXIII com o apelo aos países ricos na Mater et Magistra para que não permaneçam indiferentes perante os países oprimidos pela fome e pela miséria (83); Paulo VI, com a Populorum progressio e o discurso na ONU “como advogado dos povos pobres”; João Paulo II, que consolidou doutrinariamente “a relação preferencial da Igreja com os pobres”; Bento XIV e a Caritas in Veritate, com sua leitura “mais marcadamente política” das crises do terceiro milênio. Por fim, Francisco, que fez do cuidado “pelos pobres” e “com os pobres” um dos pilares do seu pontificado.

Papa Leão XIV lança “Dilexi Te” uma exortação que convoca os cristãos a amar os pobres com gestos concretos

O Papa Leão XIV publicou, no último dia 4 de outubro, a Exortação Apostólica Dilexi Te (“Eu te amei”, em latim), o primeiro grande documento de seu pontificado. A data, escolhida por coincidir com a festa de São Francisco de Assis, reforça o tom central da mensagem: uma Igreja pobre para os pobres, guiada pelo amor e pela compaixão como pilares da vida cristã.

Composta por cinco capítulos e 121 pontos, a Dilexi Te propõe uma reflexão profunda sobre o papel dos fiéis diante da pobreza, das desigualdades sociais e das novas formas de exclusão. O Papa chama os cristãos de todo o mundo a redescobrirem o amor de Cristo não apenas como sentimento, mas como compromisso ativo com os que sofrem.

Desde o início, Leão XIV deixa claro que sua exortação não é apenas uma reflexão espiritual, mas um chamado à ação concreta. Ele recorda que a fé sem obras é estéril e que a caridade não pode se limitar à esmola ou à boa intenção. O Papa convoca os católicos a transformar o amor em gestos tangíveis — desde a partilha de bens e tempo até o compromisso com políticas públicas que combatam a injustiça.

O documento reforça a chamada “opção preferencial pelos pobres”, expressão consagrada pela Doutrina Social da Igreja e reafirmada agora como núcleo da vida cristã. A Dilexi Te também traz um tom crítico em relação à cultura da indiferença que marca o mundo contemporâneo. O Papa denuncia o crescimento das desigualdades econômicas, o descaso com os migrantes, o consumismo desenfreado e a violência que atinge os mais vulneráveis.

O texto pede que a Igreja, em todos os níveis seja sinal de proximidade, acolhimento e misericórdia. Para o Papa, o verdadeiro rosto da Igreja é o da mãe que se inclina sobre os feridos da humanidade.

A mensagem da Dilexi Te não é apenas dirigida ao clero, mas a todos os católicos e cristãos. Seguir essa exortação significa retomar o Evangelho em sua forma mais pura e transformadora: amar o próximo como a si mesmo, especialmente o mais fraco e esquecido.

Num tempo marcado por polarizações, violência e desigualdade, o chamado de Leão XIV surge como bússola moral e espiritual. A exortação nos lembra que o cristianismo não se sustenta apenas em orações e ritos, mas em atitudes concretas de solidariedade, justiça e fraternidade.

Seguir Dilexi Te é, portanto, um gesto de fidelidade ao próprio Cristo, que disse “tive fome e me destes de comer”.
É também um antídoto contra a superficialidade de uma fé acomodada. Ao nos convidar a servir, o Papa convida cada fiel a ser voz, mãos e coração de um amor que transforma.

Fonte: Vaticam News