7 de março de 2026
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Realizamos na última segunda-feira, 22, uma live especial no canal Leia Sempre Brasil para o lançamento do livro do professor Aristides Braga Neto sobre a gestão da prefeita Maria Luíza à frente da prefeitura de Fortaleza nos anos 1980.

A live especial contou para nossa feliz surpresa com uma delegação de dirigentes municipais do município de Berisso, na Argentina, que é considerado o marco do zero do peronismo na Argentina.

E porquê? Simples e marcante história. O município de Berisso, localizado na província de Buenos Aires, é considerado o marco zero do peronismo na Argentina porque foi ali que, em 17 de outubro de 1945, milhares de trabalhadores — em grande parte imigrantes e operários das frigoríficas e indústrias locais — organizaram uma mobilização histórica organizada por Maria Roldán, trabalhadora e militante. Com essa mobilização o objetivo era exigir a libertação de Juan Domingo Perón, que estava preso pelo governo militar da época.

Esses trabalhadores partiram em massa de Berisso e Ensenada rumo à Praça de Maio, em Buenos Aires, atravessando longas distâncias a pé, em caminhões e ônibus improvisados. O movimento ficou conhecido como o “Dia da Lealdade” (Día de la Lealtad), e é visto como o nascimento do peronismo como força política popular, já que demonstrou a ligação direta entre Perón e a classe trabalhadora.

O papel de Berisso foi central porque:

  • Era um polo industrial importante, com frigoríficos e fábricas que empregavam imigrantes europeus e internos vindos do interior argentino.
  • Ali floresceu a organização sindical que deu força à convocatória.
  • A mobilização dos trabalhadores de Berisso foi simbólica, mostrando o protagonismo do operariado na construção do movimento peronista.

Por isso, até hoje, Berisso é lembrada como o berço do peronismo, um local emblemático de onde partiu a massa trabalhadora que mudou a história política da Argentina.

O município de Berisso, além de ser chamado de “berço do peronismo”, também é conhecido como a Capital Provincial do Imigrante e Nacional da Imigração. Isso acontece porque, desde o início do século XX, a cidade recebeu uma enorme quantidade de imigrantes europeus, do Oriente Médio e também de países latino-americanos que vinham trabalhar principalmente nas frigoríficas (Swift, Armour, etc.), nas indústrias e no porto local.

Esses imigrantes formaram comunidades muito ativas — italianos, espanhóis, poloneses, croatas, lituanos, armênios, árabes, ucranianos, portugueses, entre outros — que deixam marcas na cultura local, seja na gastronomia, nas danças, nas associações culturais, nas festas ou na própria identidade da cidade.

Por isso, em 1978, Berisso foi oficialmente declarada pela província de Buenos Aires como a Capital Provincial do Imigrante. Desde então, realiza-se anualmente a “Festa do Imigrante” (Fiesta del Inmigrante), uma celebração tradicional onde as diferentes coletividades apresentam comidas típicas, músicas, danças e desfiles, mantendo vivas as tradições herdadas dos antepassados.

No live do LSB falou o prefeito de Berisso, o peronista Fabián Cagliardi que foi vereador de 2017 até 2019, e em 2019 recebeu a prefeitura em uma situação parecida a que encontrou Maria Luiza na Fortaleza de 1986. Ajudou toda a população de Berisso durante a pandemia. Em 2023 teve seu segundo mandato renovado e enfrenta as dificuldades do país e da província de Berisso por causa de Javier Milei. Em 2025 foi eleito vereador, mas não vai assumir, vai seguir como prefeito. É presidente do Partido Justicialista de Berisso. Ele destacou a luta pela democracia, acompanhando a militância em todas passeatas contra as inconcruências políticas do Governo Nacional, na constantebbusca por melhores condições de vida para  o povo argentino.

Tivemos ainda como convidadas Aldana Iovanovich, presidente da Câmara dos Vereadores de Berisso e a primeira presidente mulher da Asociação de Entidades Estrangeiras de Berisso; Eva Piemaria, atual diretora de Cultura de Berisso e militante do Partido Peronista; Gecilane Carvalho Cejas, uma cearense de Fortaleza e historiadora brasileira; Andreia Maria Próia, filha de Alberto Próia e professora do curso de Música da Universidade Nacional de La Plata. Foi vereadora de Berisso e co-criadora da atual Orquestra sinfônica de Berisso. Fundou as Orquestras de Claypole e Maria Eva Rios, militante da gestão de Fabián Cagliardi, trabalhadora do município de Berisso. Seu trabalho no munícipio se relaciona com a proposta que Maria Luíza tinha.  O que Maria chamava de conselho popular, em Berisso chama-se Delegación. Onde Eva atua diretamente atendendo à população local.

Foi um momento histórico para o canal Leia Sempre Brasil que pôde reviver a política brasileira e cearense nos anos 1980 e a eleição de 1985 para prefeito das capitais brasileiras foi a primeira após o fim da ditadura militar. Maria Luíza venceu as eleições pelo Partido dos Trabalhadores na capital cearense. Foi um marco na política regional.

Além do mais podemos conhecer um pouco mais sobre a Argentina, o peronismo e o momento atual da Argentina que enfrenta um governo fascista de Javier Milei. E mais ainda sobre essa belíssima cidade de Berisso.