7 de março de 2026
livro aristides

 

O escritor professor Aristides Braga Neto vai estar em Juazeiro do Norte no próximo dia 27 de setembro e participa da feijoada dos 6 anos do jornal Leia Sempre Brasil.

Não é muito conhecido pelas bandas do Cariri, embora tenha participado de aulões de Pré-Vestibular quando algumas escolas de Crato tiveram convênio com o Curso Skema, de Fortaleza. O professor Aristides foi professor de Cursos Pré-Universitários em Fortaleza desde os anos 1975, deixando uma legião de amigos e fãs espalhados pelo Ceará que adoram seus textos didáticos e sua fala. Mais tarde tornou-se professor do Ensino Básico.

Na feijoada do Leia Sempre Brasil, no próximo dia 27/9, o professor Aristides vai lançar seu novo livro “A culpa é da Maria? Fortaleza 1986”, uma continuação do seu livro anterior, “Epopeia no Ceará – A vitória espetacular com Maria Luiza em 1985”.

Nesse livro sobre 1985 em Fortaleza, ele nos conta a história da vitória da então deputada estadual Maria Luíza Fontenele, que venceu de forma espetacular mesmo as eleições de 1985 em Fortaleza, a primeira eleição para prefeito nas capitais após a ditadura militar.

Nesse livro sobre 1985, Aristides nos leva ainda ao resgate do trabalho do fotógrafo Bill Cartaxo de Arruda, que foi meu colega de Banco do Estado do Ceará e na época fez um exemplar registro fotográfico daquele momento histórico do Ceará e do Brasil. Deixou saudades em todos nós com sua precoce partida.

Agora Aristides chega ao Cariri com seu novo livro.

O livro revisita a experiência da gestão de Maria Luiza Fontenele como prefeita de Fortaleza, eleita em 1985 e empossada em 1986, primeira mulher a governar a capital cearense. A obra parte da provocação do título para investigar até que ponto os problemas enfrentados pela cidade naquele período eram realmente responsabilidade dela ou resultado de um contexto estrutural adverso.

Maria Luiza assumiu a Prefeitura em meio a grave crise econômica nacional, inflação alta e queda de arrecadação municipal. A cidade carregava dívidas, serviços precarizados e uma máquina administrativa engessada. Sua proposta de uma “Administração Popular”, baseada em conselhos e participação direta da população, despertou grandes expectativas, mas logo encontrou resistências dentro da própria burocracia, na Câmara Municipal, nos governos estadual e federal e também nas elites econômicas locais.

A gestão foi marcada por conflitos intensos: greves de servidores por salários atrasados, paralisações de serviços essenciais, choques com sindicatos e críticas da imprensa. Internamente, a própria esquerda se dividiu, e o apoio inicial do PT se dissolveu em meio a divergências ideológicas e disputas de poder.

Apesar das dificuldades, a administração deixou legados importantes, como a criação de mecanismos de participação popular, projetos de habitação e medidas de proteção ambiental (exemplo: a área do Vale do Rio Cocó). O autor mostra, contudo, que os limites da experiência eram enormes: a falta de recursos, as pressões políticas e a crise institucional minaram a capacidade da prefeita de implementar suas propostas.

No balanço final, Aristides Braga Neto argumenta que atribuir toda a “culpa” a Maria Luiza é injusto e simplificador. Os fracassos e impasses da gestão devem ser entendidos dentro de um cenário político e econômico mais amplo, que ultrapassava a figura da prefeita.

Assim, o livro funciona não só como um registro histórico da Fortaleza dos anos 1980, mas também como uma reflexão sobre os desafios da esquerda no poder, os limites da democracia participativa e a relação entre idealismo político e governabilidade.

SERVIÇO

Lançamento do livro “A culpa é da Maria? Fortaleza 1986”

Autor: Aristides Braga Neto

Dia 27 de setembro de 2025 (sábado)

Na Chácara Di Fest – Rua Pedro Carvalho, 74 – Bairro Aeroporto – Juazeiro do Norte – Ceará