7 de março de 2026
golpistas

Foto: Foto: Amanda Perobelli/REUTERS Edição: Leia Sempre Brasil

 

 

O povo brasileiro vive sendo vítima de tentativas de golpe de estado. Desde a época da monarquia até hoje foram várias tentativas, algumas feitas com sucesso como em 1964 e outras com insucesso como a de janeiro de 2023 sob comando de Bolsonaro e seus aliados.

 

E exatamente na semana em que se inicia o julgamento do chamado núcleo central da tentativa de golpe de estado no Brasil a união do centrão, bancada bolsonarista e governadores de estados importantes como São Paulo, Minas Gerais e Goiás revela que o povo brasileiro vai continuar sendo permanentemente ameaçado de golpe de estado tão logo queiram os poderosos e a elite.

 

A impressão da sociedade brasileira em seu conjunto é que a normalidade democrática não mais existirá. Pois, quando o Brasil marcha para na Justiça julgar aqueles que atentaram contra a democracia brasileira e as instituições, vem políticos de todos os estados e partidos políticos, com cadeiras no congresso e  nos governos estaduais, uma estrutura gigantesca na mídia e nas redes sociais e com forte apoio das plataformas digitais para aumentar o risco à democracia no Brasil, puxar a corda para aumentar a instabilidade política.

 

Não interessa aos políticos do bolsonarismo ou do centrão acalmar o Brasil, apaziguar. Não se trata de Bolsonaro para quem muitos desses políticos com Tarcísio de Freitas estão se lixando, trata-se de ampliar a instabilidade na política brasileira.

 

E assim, e por esses motivos acima, o governador Tarcísio de Freitas sai de São Paulo em um dia de semana e vai à Brasília e com a chancela do centrão e da bancada bolsonarista articular anistia para os golpistas liderados por Bolsonaro.

O discurso dos governadores é sintomático. Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ronaldo Caiado querem vencer as eleições presidenciais de 2026 para livrar Bolsonaro da cadeia e impedir a punição de golpistas. Ou seja, passa a ser negócio, como muitos brasileiros já observam à tempos que dar golpe de estado no Brasil e cometer crimes variados é um negócio rentável e que conta com apoio de governadores, deputados e senadores.

 

Um detalhe à parte: tem sido um grande negócio para muitos desses políticos avançar em pautas reacionárias e neoliberais pois há na sociedade quem banque esse tipo de discurso e quem tem esse discurso reacionário e neoliberal consegue muitos patrocinadores. E agora, estamos vendo com estupefação que após a operação da PF do envolvimento de setores do sistema financeiro nacional com o crime organizado, no caso o PCC que esses envolvimentos geram lucros para alguns e pobreza para o povo brasileiro.

Do ponto de vista legal, uma anistia concedida de forma casuística, com o objetivo específico de proteger um ex-presidente acusado de diversos crimes, é um desvio grave do sentido original desse instrumento jurídico. A anistia existe para pacificar conflitos sociais mais amplos, como perseguições políticas ou contextos históricos de exceção, e não para blindar lideranças de acusações que precisam ser julgadas dentro do devido processo legal. Usar o poder legislativo para apagar responsabilidades individuais fere princípios democráticos e esvazia a confiança da população nas instituições. E voltamos ao assunto: tem muita gente trabalhando apenas para a confiança da população nas instituições cair ou ir ao chão, pois dará lucros ao extremismo e ao discurso reacionário.

No campo ético, a iniciativa da anistia é ainda mais problemática. Trata-se de uma tentativa explícita de colocar interesses pessoais e de grupo acima da justiça e do bem comum. É como se houvesse duas categorias de cidadãos: os comuns, sujeitos à lei, e os poderosos, capazes de moldar a lei a seu favor. Esse tipo de prática aprofunda a descrença na política, fragiliza o Estado de Direito e alimenta a percepção de que a impunidade é regra para os que detêm poder.

Ao se unir a esse projeto, Tarcísio de Freitas reforça a imagem de que sua atuação política está vinculada à tentativa efetiva de desestabilizar ainda mais o estado democrático de direito. De destruir nossas instituições. De um governador do estado mais importante da federação que tem tendências autoritárias, que não se preocupa com a democracia.

Essa aliança entre centrão, bolsonaristas e o governo paulista não representa o interesse coletivo, mas sim a preservação de um projeto de poder que se recusa a responder por seus atos diante da justiça. Em síntese: legalmente questionável, eticamente indefensável, politicamente revelador.