
Foto: Breno Árleth. Procissão dos Bombons. Rua do Cruzeiro, Juazeiro do Norte-CE. 14 de setembro de 2022.
Lembro que meus vizinhos corriam, eufóricos e sorridentes, em direção à rua São Benedito, no bairro Pirajá. Uma delas, de meia idade, que já me conhecia, disse:
-Bora pegar bombom!
-Pegar bombom? Perguntei ingênuo e sem entender absolutamente nada.
-Sim, seu besta, os bombons da romaria.
Disse isso e foi embora.
Sem entender o evento que ocorria, lapiei as havaianas nos calcanhares e segui a multidão apressada. De longe, ouvia-se um tremendo buzinaço e gritaria. Na rua, um cortejo de ônibus, vestidos de adereços religiosos e frases espiritualistas e em referência a Nossa Senhora das Dores, estendia-se para além do que a vista podia alcançar.
De um lado e do outro da calçada, crianças, adultos, idosos, a moça da padaria, o vozinho da esquina que vendia frango, minha vizinha e outras centenas de pessoas disputavam os bombons que romeiros jogavam das janelas dos ônibus em movimento. No meio daquele murmurinho, uma idosa atraía risos e comentários a mais. Inteligentemente, usava um guarda-chuva, virado ao contrário, para pegar os bombons. Deve ter saído dali com o suficiente para comer, dar e vender. Nunca tinha visto uma Procissão dos Bombons. Aquela foi a primeira e mais
marcante.
Daqui a alguns dias, chegará uma nova romaria de Nossa Senhora das Dores. Dia 14 de setembro é dia de pegar bombons. Se eu não for, vá! Vão!
Por Breno Árleth