6 de maio de 2026
liana cirne

Liana Cirne é professora da Universidade Federal de Pernambuco, advogada e colunista do Mídia Ninja. - Fátima Pereira

Fui alvo de uma provocação feita pelo advogado Martin De Luca, que representa o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A reação veio após realizar uma publicação no X (antigo Twitter), sobre uma reportagem que mostrava que o próprio criador da Lei Magnitsky, utilizada por Trump para sancionar Alexandre de Moraes, considera que o ministro do STF deve recorrer à Justiça dos Estados Unidos contra a medida arbitrária.

Destaquei que o autor da lei apontou “abuso” na sanção imposta a Moraes, ressaltando ainda que Trump tem perdido 96% dos processos na Justiça americana. A crítica incomodou o advogado trumpista.

Em resposta, Martin De Luca escreveu: “Acho esse conselho excelente. Estamos esperando por ele há sete meses, Liana Cirne! Também encorajamos Alexandre de Moraes a comparecer ao tribunal federal dos EUA.”

A resposta evidencia o nível de articulação internacional entre figuras do bolsonarismo, como o próprio filho do ex-presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e do trumpismo.

O que estamos vendo é a velha articulação golpista, agora com apoio internacional. Quem ataca o STF, deslegitima as urnas e defende sabotagem estrangeira não está falando em liberdade, está conspirando contra a democracia. A porteira do golpismo foi aberta lá atrás, no impeachment sem crime da presidenta Dilma, e nunca mais foi fechada. Essa galera bate palma para sabotagem estrangeira, que tenta sufocar o Brasil justamente porque voltamos a pensar como Nação. Voltamos a defender nossa indústria, nossa soberania e os interesses do nosso povo.

A fala do advogado demonstra uma tentativa de intimidação política e jurídica, em um tom alinhado aos discursos da extrema-direita internacional, que busca desacreditar instituições democráticas e atacar opositores em diferentes frentes.