7 de março de 2026
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Foto: Reprodução/Redes Sociais (cimi_conselhoindigenista)

 

O avanço da tese do marco temporal e a expansão do agronegócio têm transformado terras indígenas em verdadeiras zonas de guerra no Brasil. É o que denuncia o novo Relatório Violência Contra os Povos Indígenas, lançado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que registrou 211 assassinatos de indígenas em 2023. Para a antropóloga Lúcia Helena Rangel, professora da PUC-SP e assessora do Cimi, o cenário é de brutalidade crescente. “Milícias armadas fazem emboscadas e atacam. É como uma zona de guerra”, afirmou em entrevista à Rádio Brasil de Fato.

Rangel aponta o agronegócio como o principal agente de violência, especialmente em estados como Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul. Segundo ela, há uma pressão contínua para ampliar as áreas de exploração, mesmo com milhões de hectares já utilizados. “O alvo é a terra indígena, que não é respeitada por ninguém”, lamenta.

A aprovação da Lei 14.701, que institui o marco temporal, também é duramente criticada. “É uma ficção criada para permitir a ocupação de terceiros. Intensificou as invasões e o sofrimento”, denuncia a antropóloga, destacando ainda a entrada de invasores com tratores, caminhões e armas de fogo.

A situação se agrava com a aprovação do chamado “PL da Devastação”, que libera a mineração em terras indígenas. Para Rangel, isso representa exploração sem retorno social. “Quem ganha é quem vende. A população local não vê benefício algum”.

O relatório ainda mostra 119 registros de ameaças a povos indígenas isolados na Amazônia Legal. “Essas terras estão sendo exploradas de forma desordenada, com foco no lucro imediato”, alerta Rangel.