
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Por Clóvis Cordeiro
Secretário de Organização PV Ceará
As eleições de 2026 terão grande impacto na configuração do poder político brasileiro. Nessa disputa, estarão em jogo dois terços das cadeiras do Senado Federal, ou seja, 52 vagas. Esse número elevado cria a oportunidade de uma mudança significativa na correlação de forças dentro da Casa.
Muitos acreditam que o objetivo principal da extrema direita seja a Presidência da República. Entretanto, há quem defenda que, para esse campo político, o foco real seja o Senado Federal, sendo a Presidência quase um bônus. Isso porque, além de ter papel fundamental na dinâmica política, o Senado exerce competências constitucionais decisivas para o funcionamento do Estado brasileiro.
Hoje, a extrema direita precisa reconquistar 11 cadeiras que já estão em jogo e conquistar mais 16 novas vagas para que o grupo alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro alcance a maioria absoluta no Senado. Esse controle permitiria, entre outras coisas, influenciar a pauta legislativa, bloquear iniciativas do Executivo ou do Judiciário e moldar a própria composição de instituições-chave.
Por que a maioria no Senado é tão importante?
A importância do Senado se revela em suas competências privativas, previstas no Artigo 52 da Constituição Federal (e em emendas constitucionais subsequentes). Entre elas, destacam-se:
Processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República, ministros de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), procurador-geral da República e advogado-geral da União em crimes de responsabilidade;
Aprovar previamente indicações do presidente da República para cargos estratégicos, como ministros do STF, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), presidente e diretores do Banco Central, procurador-geral da República, chefes de missões diplomáticas, entre outros;
Autorizar operações financeiras externas de interesse da União, estados, Distrito Federal e municípios;
Suspender a execução de leis ou partes delas, quando declaradas inconstitucionais em decisão definitiva do STF.
O Senado como barreira ou ferramenta
O maior obstáculo à consolidação de um projeto autoritário ou de ruptura institucional por parte da extrema direita é, atualmente, o Poder Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal. O Senado exerce papel crucial nesse cenário, pois é a Casa responsável por julgar ministros do STF em casos de impeachment e por aprovar ou barrar novas nomeações para a Corte.
Ter maioria no Senado permitiria à extrema direita, por exemplo:
Travar ou acelerar processos de impeachment contra ministros do STF;
Aprovar indicações ao STF alinhadas a sua agenda;
Interferir em políticas econômicas e fiscais, via aprovação ou rejeição de operações financeiras externas;
Modificar a Constituição, caso também obtenha força suficiente na Câmara dos Deputados.
Assim, o Senado se torna peça estratégica fundamental. O controle dessa Casa garantiria musculatura política para impor, barrar ou modificar pautas sensíveis, influenciar a composição de órgãos de controle e, sobretudo, pressionar o Judiciário, que hoje atua como freio a avanços mais radicais da extrema direita.
Portanto, embora a disputa presidencial de 2026 seja relevante, é no Senado Federal que se joga, de fato, o xadrez institucional mais delicado do país.