4 de abril de 2025
Tarifaço de Trump revela dois partidos: Tiradentes e Silvério

Bolsonaro e Lula (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino | Foto: Ricardo Stuckert)

O advogado, historiador e jornalista Barbosa Lima Sobrinho, um dos mais lúcidos patriotas que o Brasil já teve, costumava dizer que, ao longo da história, só existiram dois partidos no país: o de Tiradentes e o de Joaquim Silvério dos Reis. O primeiro, defensor intransigente da soberania nacional. O segundo, representante da traição aos interesses do povo brasileiro. Essa visão, que atravessa os séculos, se manifesta de maneira cristalina nas reações de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro ao tarifaço anunciado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos no dia de ontem.

Enquanto Lula se prepara para lançar a campanha “O Brasil é dos brasileiros”, num gesto claro de afirmação da soberania nacional e de defesa da indústria brasileira diante da agressão tarifária imposta por Washington, Bolsonaro fez o contrário: saiu em defesa das medidas de Trump e ainda aproveitou para atacar o Brasil, acusando-o de estar contaminado por um “vírus socialista”. A postura do ex-capitão que está prestes a ser condenado por golpismo revela sua adesão cega a uma potência estrangeira, mesmo quando suas decisões afetam diretamente o setor produtivo brasileiro, os empregos e o desenvolvimento do país.

Tiradentes

O lançamento da campanha pelo presidente Lula foi mais do que um gesto político — foi um ato simbólico. Ao afirmar que “o Brasil é dos brasileiros”, ele invocou o sentimento de pertencimento, a ideia de que o país deve ser conduzido a partir dos seus próprios interesses. A ofensiva de Trump, ao anunciar tarifas generalizadas sobre produtos importados, ameaça exportadores brasileiros de diversos setores, em especial o agronegócio, que hoje depende fortemente do mercado externo e, paradoxalmente, é uma das bases de sustentação do bolsonarismo.

A reação de Lula mostra que o governo compreende a gravidade do cenário: tarifas mais altas significam menos competitividade para os produtos nacionais, redução de divisas, instabilidade no comércio internacional e, em última instância, prejuízo direto ao trabalhador brasileiro. Herdeiro dos melhores ideais patrióticos, o atual governo brasileiro não pode aceitar uma política que prejudique o Brasil. E Lula, ao se posicionar contra o tarifaço, age como representante legítimo do “partido de Tiradentes”.

O partido de Silvério

Bolsonaro, por outro lado, confirmou sua filiação histórica ao partido de Silvério. Ao apoiar o tarifaço de Trump, ele não apenas renega os interesses da indústria nacional, como também reforça a imagem de submissão que marcou seu governo entre 2019 e 2022. Não por acaso, foi frequentemente chamado de “capacho de Trump” nas redes sociais, em função de sua postura servil diante da Casa Branca.

Seus ataques ao “vírus socialista” não passam de retórica oca para disfarçar sua falta de compromisso com o país. Em vez de defender o Brasil diante de um ato hostil de uma potência estrangeira, Bolsonaro escolhe atacar seus próprios compatriotas, como se fosse um porta-voz do governo norte-americano. É a versão contemporânea do delator dos inconfidentes mineiros: a traição travestida de ideologia.

A encruzilhada histórica

O tarifaço de Trump representa mais do que uma crise comercial. Ele expõe uma encruzilhada histórica: o Brasil pode optar por defender seus interesses com coragem e altivez ou seguir curvado diante de potências estrangeiras. A reação de Lula mostra que há um projeto nacional em curso, baseado na reindustrialização, na valorização do trabalho e na soberania.

A reação de Bolsonaro, por sua vez, confirma que, para ele e para a extrema-direita brasileira, o país é apenas uma peça subordinada no tabuleiro de outra nação. É o mesmo espírito entreguista que levou Silvério dos Reis a denunciar Tiradentes à Coroa portuguesa — e que segue vivo, infelizmente, em parte da elite política brasileira.

Barbosa Lima Sobrinho sempre esteve certo: no Brasil, só há dois partidos. E neste momento, mais do que nunca, é preciso se posicionar do lado certo da História.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Leia Sempre Brasil.

Fonte: Brasil 247

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