7 de maio de 2026

Publicado no jornal Leia Sempre Brasil
edição n° 153 deste 3 de março de 2023.

Não é nada bonito de se ver e falar. O Brasil entra para o noticiário por ter em seu território grandes empresas com fama internacional, empresas reconhecidas por sua história e seus belíssimos portifólios e produtos como participantes de ações que levaram à escravidão de centenas de trabalhadores nordestinos. Não existe análogo à escravidão é simplesmente escravidão mesmo.

As vinícolas Aurora, Salton e Garibaldi tiveram que ver seus nomes e marcas estampadas nos jornais por conta da descoberta de que uma empresa terceirizava trabalhadores e os tratava a base de choques elétricos, spray de pimenta e situações precárias dos alojamentos, dentre outras atitudes desumanas.

Essas vinícolas são responsáveis pelo trabalho escravo? Acreditamos que esse acontecimento precisa ser investigado. E as autoridades precisam prestar contas à sociedade dessas investigações.

A empresa terceirizada Oliveira e Santana Ltda desrespeitava os direitos humanos dos trabalhadores. Muitos foram espancados.
O Ministério Público do Trabalho constatou que eles teriam sido submetidos a jornadas exaustivas, recebiam comida imprópria para consumo, só podiam comprar produtos em um único estabelecimento, com desconto salarial e preços elevados, e eram mantidos vinculados ao trabalho por supostas “dívidas” contraídas com o empregador.

Essa situação revela o Brasil profundo do reacionarismo e bolsonarismo. Os grandes empresários que estão envolvidos nesse caso jamais serão presos. Afinal, são pessoas de bem (ou de bens) e isso basta para a impunidade bater na porta e ficar. Esperamos errar nesse conceito.

O certo é que os trabalhadores baianos de que trata o caso receberão indenizações? Quem vai ser preso? Alguém já foi preso? Alguém foi indiciado? Quais empresas foram multadas? São muitas as perguntas.

É preciso dizer ainda que isso não é inédito. Os trabalhadores brasileiros já formam vítimas por diversas vezes desse tipo de atitude vinda de empresas. A elite do Sul brasileiro se acha europeia e portanto, com direito de escravizar nordestinos e trabalhadores pobres. Pelo menos uma parte dessa elite pensa assim.

A escravidão, assim como a pobreza sempre foram armas que essa elite utiliza contra os trabalhadores. A reação da sociedade não poderia ser outra a não ser repudiar e exigir que os que cometeram o crime sejam punidos.

Vale ainda à pena sonhar que no Brasil quem comete crimes contra o povo seja punido.

Jornal Leia Sempre Brasil Ed. 153 p.02