Oberdan Leite lança seu livro “Encontos” na feijoada do Leia Sempre Brasil neste sábado, 7

Um dos destaques da programação da feijoada cultural do jornal Leia Sempre Brasil comemorando nos 6 anos de atividade jornalística e cidadã será o lançamento do livro ENCONTOS do professor José Oberdan Leite. Abaixo trazemos o prefácio do livro escrito pelo nosso editor Tarso Araújo. O lançamento do livro se dará às 15h, mas a feijoada começa ao meio-dia. Esperamos todos lá!!!!
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Entre a escola e a vida: as lições de Encontos
A tarefa de fazer a apresentação do livro do professor Oberdan Leite, para mim, é mais que uma honra: é um orgulho. É um imenso prazer. E digo isso de maneira simples.
Encontos me fez lembrar daquele menino que, nos anos 1970, ia ao Colégio São João e, no intervalo, corria com a meninada de um lado para o outro. Que adorava as aulas de História e Geografia e morria de medo do professor de Matemática.
Aquele menino que aprendeu a ler inconscientemente, mas mal sabia que o hábito da leitura o salvaria. E apenas me dei conta disso anos mais tarde, quando perguntei ao meu tio Murilo Viana por que ele tinha resolvido pagar meu colégio — um colégio muito bom em Fortaleza. Ele respondeu:
“Paguei porque via, quase todos os dias, quando chegava do trabalho, você deitado na rede de minha mãe, lendo, lendo sem parar.”
E ali me salvei.
E é isso, realmente, o que vi nas páginas de Encontos, do professor Oberdan: palavras e muitas palavras que, unidas, nos salvam e nos dão uma série de lições para a escola, para a educação de forma geral e, o mais importante, para a vida.
O livro é uma gigantesca reflexão sobre a sociedade brasileira. Aliás, quem não entende de escola e educação, ou não tem sensibilidade para compreender os dilemas dos professores em toda a sua complexa dimensão, poderia aproveitar este livro para se deliciar e aprender.
A leitura de Encontos nos leva a muitas reflexões e temas. Podemos conversar sobre a fome, sobre a forma de educar, os erros em sala de aula, a pobreza, as dificuldades da aprendizagem e as mais diversas maneiras que nossos professores têm de se superar e oferecer aos seus alunos caminhos limpos e livres para o aprendizado e o conhecimento.
Mas podemos também nos alegrar com as histórias pitorescas envolvendo professores e estudantes, os casos engraçados e, ao final, tudo se revela muito instrutivo.
Somos um país que lê pouco e que deveria ler muito mais. A nossa educação — ou a falta dela — não é mero acaso. Deixar nosso povo inculto, despolitizado, sem memória, sem cultura, sem leitura e sem educação não é algo misterioso. Como dizia Darcy Ribeiro: “A crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”.
Quando vemos iniciativas e livros como o do professor Oberdan, refletindo sobre educação, cultura, leitura, sala de aula e a vida, temos a certeza de que, mesmo que a nossa inculta elite queira um Brasil de analfabetos e não leitores, ainda temos professores como Oberdan Leite na linha de frente da luta pela educação, pela leitura e pela cultura.
Ler as histórias do professor Oberdan me encheu de profunda alegria e me fez voltar no tempo, lá para o meu colégio, na época da sexta série, em 1979, quando meu pai faleceu. Aquele menino foi para a aula na segunda-feira e o professor de Português, professor Valter, parou a aula e perguntou como eu estava.
Na hora, disse que estava tudo bem.
Mas, no recreio — como chamávamos o intervalo —, o menino chorou embaixo do pé de manga, sentado em um banco de cimento, sobre o livro da coleção Para Gostar de Ler, pois sabia que não veria mais seu pai.
Mas teria o livro para viajar na imaginação de garoto.
E fez isso.
O livro sempre me acompanhou na vida. Imagino como o livro tem acompanhado a vida do professor Oberdan.
Como ele diz logo no início: se você terminou de ler um livro ou não o quiser mais, não o jogue fora. Dê-o de presente.
Esse livro do professor Oberdan, com toda a certeza, ninguém vai querer jogar fora. Ele é, decididamente, um presente para toda a juventude escolar, para quem gosta de ler e ouvir boas histórias.
Este já faz parte dos meus livros favoritos.
E olhe que só o li uma vez.
Por Tarso Araújo
Tarso Araújo é jornalista, radialista, escritor e produtor de conteúdo com atuação voltada à análise crítica da sociedade brasileira. Sua escrita se destaca pelo tom reflexivo e crítico, abordando temas como poder, comunicação, cultura, política, meio ambiente, educação e os impactos das narrativas na sociedade contemporânea. Com estilo autoral, transita entre o jornalismo e a literatura, produzindo também contos de ficção científica e fantasia, além de textos poéticos que exploram as contradições humanas, a solidão e os dilemas do mundo atual.