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Flávio Bolsonaro quer destruir os direitos do povo brasileiro; simples assim!!

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Os alertas já vêm sendo dado por especialistas, educadores e intelectuais. Flávio Bolsonaro já avisou o que fará se for eleito. Vai destruir os programas sociais, cortar verbas das universidades, dar fim a programas como bolsa família, pé de meia e minha casa minha vida, vai destruir os investimentos na saúde e educação colocando fim no SUS, aprovar uma reforma da previdência para aumentar o tempo de contribuição até 70 anos para os homens e fazer uma nova reforma trabalhista destruindo a CLT e os direitos dos trabalhadores brasileiros. O discurso de Flávio e seus aliados já nos visou disso tudo. Ou a sociedade se mobiliza contra o extremismo de direita ou o Brasil que conhecemos será completamente destruído.

 O bolsonarismo e o desmonte da vida dos brasileiros

Por Tarso Araújo

Flávio Bolsonaro não representa, para seus críticos, apenas uma disputa eleitoral ou uma ameaça à democracia brasileira. Sua trajetória política está cercada de controvérsias, investigações e episódios que continuam sendo objeto de questionamentos públicos. Em um país que levasse a sério a trajetória e o comportamento de seus homens públicos, seria necessário perguntar se alguém com esse histórico deveria sequer estar disputando um cargo de tamanha importância.

Mas talvez o mais grave não seja simplesmente discutir se Flávio Bolsonaro é ou não um político corrupto. Afinal, a experiência brasileira mostra que acusações de corrupção, por mais graves que sejam, nem sempre impedem que candidatos continuem recebendo milhões de votos.

O eleitor brasileiro já demonstrou, inúmeras vezes, que pode votar em políticos acusados de corrupção, envolvidos em escândalos, condenados ou investigados. Também pode votar em machistas, misóginos, autoritários e políticos acusados de violência. Depois da eleição, não é raro ouvir a velha frase: “Nem lembro em quem votei.”

O problema, portanto, precisa ser colocado em uma dimensão maior. O que está em jogo é a vida do brasileiro.

O trabalhador que acorda todos os dias antes do sol nascer, pega transporte coletivo, enfrenta horas de deslocamento, recebe um salário apertado e chega em casa exausto não está preocupado apenas com a disputa ideológica entre esquerda e direita. O problema neste segundo turno das eleições nada mesmo tem a ver com esquerda e direita, mas sim, como civilização se opondo a barbárie.

O trabalhador quer saber se terá atendimento médico quando precisar. Quer saber se os filhos terão escola pública de qualidade. Quer saber se conseguirá comprar comida. Quer saber se poderá se aposentar. Quer saber se terá emprego. Quer saber se poderá financiar uma casa.

E é justamente esse brasileiro, simples e trabalhador, que pode acabar pagando a conta das decisões tomadas no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional com a eleição de Flávio Bolsonaro.

Por isso, discutir uma eventual vitória do bolsonarismo não deveria significar apenas discutir quem ocupará a Presidência da República. É preciso discutir qual projeto de Estado estará sendo colocado em prática.

O que pode acontecer com a rede de proteção social?

O Brasil construiu, ao longo das últimas décadas, uma rede de proteção social que envolve o Sistema Único de Saúde, o Bolsa Família, programas habitacionais, financiamento estudantil, universidades públicas, políticas de valorização do salário mínimo, aposentadorias, direitos trabalhistas e diversas outras políticas públicas. Essa estrutura não apareceu de um dia para o outro.

Foi construída com muita luta social, pressão dos trabalhadores, movimentos populares e decisões políticas tomadas ao longo de diferentes governos.

O governo Jair Bolsonaro promoveu mudanças e cortes em diferentes áreas e também tentou alterar políticas sociais e trabalhistas. Agora, diante das propostas e discursos apresentados por setores ligados ao bolsonarismo, cabe ao eleitor perguntar:

O que será preservado?

O que será reduzido?

O que será privatizado?

Quem pagará essa conta?

Essas perguntas precisam ser respondidas antes da eleição, e não depois.

Imagine uma família recebendo o diagnóstico de uma doença grave. Imagine que essa família não tenha dinheiro para pagar uma cirurgia, uma internação, um tratamento contra o câncer ou medicamentos de alto custo. Para milhões de brasileiros, existe uma instituição que representa a diferença entre ter atendimento ou ficar abandonado: o SUS.

Qualquer proposta que altere profundamente o modelo de financiamento, gestão ou oferta dos serviços públicos de saúde precisa ser discutida com absoluta transparência.

Não se trata de espalhar medo. Trata-se de perguntar qual será o futuro do SUS diante de um projeto político que defende maior participação do setor privado em diferentes áreas do Estado. A saúde pública não pode ser tratada apenas como uma planilha de gastos. Do outro lado da planilha existe uma pessoa doente.

E a aposentadoria? Outro ponto que precisa estar permanentemente no debate é a Previdência Social. O trabalhador brasileiro já enfrenta uma vida profissional longa e desgastante. Um operário da construção civil, um trabalhador rural, uma empregada doméstica, um motorista, um trabalhador da limpeza ou alguém submetido durante décadas a atividades fisicamente pesadas não pode ser tratado da mesma forma que alguém que trabalha sentado em um escritório.

Qualquer proposta de aumento da idade mínima ou do tempo de contribuição precisa considerar as diferentes realidades do mercado de trabalho brasileiro. Não basta dizer que é necessário “equilibrar as contas”.

É preciso perguntar: equilibrar as contas de quem e às custas de quem?  Porque não existe reforma da Previdência abstrata. Existe o trabalhador que precisa chegar vivo e com saúde à aposentadoria.

E os direitos trabalhistas? Também é necessário discutir o futuro da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, e da Justiça do Trabalho. Qualquer proposta de redução de direitos trabalhistas precisa ser apresentada claramente ao eleitor. Não pode existir reforma escondida atrás de palavras bonitas como “modernização”, “flexibilização” ou “competitividade”.

O trabalhador precisa saber exatamente o que pode perder.

Férias?

Décimo terceiro?

FGTS?

Jornada de trabalho?

Proteção contra demissão?

Direitos previdenciários?

Negociação coletiva?

A população precisa conhecer o conteúdo de cada proposta antes de votar.

E as mulheres?

Outro ponto que merece atenção é a proteção às mulheres contra a violência. A Lei Maria da Penha tornou-se um dos principais instrumentos legais brasileiros de enfrentamento à violência doméstica e familiar. Qualquer mudança que reduza sua eficácia, dificulte sua aplicação ou enfraqueça a rede de proteção às mulheres precisa ser discutida publicamente. Não é necessário necessariamente extinguir uma lei para enfraquecê-la.  Uma política pública também pode ser desmontada pela falta de orçamento, pela redução das estruturas de atendimento, pela ausência de fiscalização ou pela falta de vontade política para fazê-la funcionar. Por isso, as mulheres brasileiras precisam saber qual será o compromisso de qualquer candidato com a proteção contra a violência.

O desmonte não seria apenas do Estado e aqui está o ponto central deste debate. Quando falamos em redução de políticas públicas, privatização de serviços ou diminuição de direitos sociais, não estamos discutindo apenas o tamanho do Estado. Estamos discutindo o tamanho da proteção que o Estado oferece ao cidadão. Para quem tem dinheiro, uma redução do serviço público pode significar contratar um plano de saúde. Para quem tem dinheiro, uma escola pública ruim pode ser substituída por uma escola particular. Para quem tem dinheiro, uma aposentadoria pública menor pode ser compensada por investimentos privados.

Mas e o trabalhador que recebe salário mínimo?

E a família que depende exclusivamente do SUS?

E o jovem que precisa de universidade pública?

E a mulher que depende da rede pública para escapar de uma situação de violência?

E o trabalhador rural?

E o idoso pobre?

Para essas pessoas, o Estado não é um conceito abstrato.

O Estado é a diferença entre ter proteção ou ser abandonado.

A pergunta que o eleitor precisa fazer

O debate eleitoral não pode ser reduzido a Lula contra Bolsonaro, esquerda contra direita ou PT contra bolsonarismo. É preciso discutir projetos.

Que Estado queremos?

Que SUS queremos?

Que Previdência queremos?

Que escola queremos?

Que universidade queremos?

Que direitos trabalhistas queremos?

Que política de proteção às mulheres queremos?

Que país queremos entregar aos nossos filhos?

O eleitor precisa olhar para além dos discursos inflamados das redes sociais.  Precisa ler propostas. Precisa conhecer os projetos apresentados pelos candidatos. Precisa acompanhar o que seus representantes votam no Congresso. E precisa desconfiar de qualquer político que prometa que o país ficará melhor simplesmente reduzindo direitos de quem trabalha.

O bolsonarismo ao longo dos anos elegeu políticos que deixaram claro que não tem compromisso alguns com as demandas e necessidades da população.

Porque, no final, existe uma verdade que não pode ser escondida atrás de propaganda eleitoral: o trabalhador é quem paga a conta do desmonte propagado por FláviopoBolsoanro e seus aliados.

O rico sempre encontrará uma alternativa. O pobre, muitas vezes, não. É por isso que o debate sobre o bolsonarismo não pode ser apenas sobre nomes ou partidos. É sobre projeto de país. É sobre o Brasil que queremos construir. E, principalmente, sobre uma pergunta que cada eleitor deveria fazer antes de colocar seu voto na urna: quando o Estado reduzir sua proteção, quem estará ao meu lado?

Porque o desmonte de políticas públicas pode ser apresentado como modernização. Pode ser apresentado como austeridade. Pode ser apresentado como eficiência. Mas, para quem depende diariamente dos serviços públicos, o resultado pode ter outro nome: abandono.

E é o cidadão brasileiro — especialmente o trabalhador, o jovem de escola e universidade pública, o trabalhador do comercio, serviços e turismo, o pobre, a mulher, o idoso, os povos indígenas e os quilombolas,  e aqueles que mais dependem das políticas públicas — quem precisa saber exatamente o que está em jogo.

Está em jogo os direitos e a vida do povo brasileiro .E o bolsonarismo acabou de apontar uma bazuca para seus direitos e sua vida.

Cuidado. Vamos à luta!