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Ana Elisa diz que existe “um abismo” entre a direita e o bolsonarismo no Brasil

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A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) afirmou, durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, nesta quinta-feira, 8, que existe uma diferença profunda entre a direita tradicional e o bolsonarismo no Brasil.

Segundo a parlamentar eleita, a existência de diferentes correntes ideológicas faz parte de uma sociedade democrática e a presença da direita no debate político não representa, por si só, uma ameaça à democracia. Para Ana Elisa, entretanto, o bolsonarismo deve ser analisado de maneira diferente.

“Existe um abismo entre a direita e o bolsonarismo no Brasil”, afirmou.

A petista destacou que, embora se identifique politicamente com a esquerda, considera legítima a existência de setores de direita na disputa democrática.

“Mesmo que meu espectro político-ideológico seja de esquerda, é democrático que exista, em sociedade, a direita, mas o bolsonarismo, não”, declarou.

Na avaliação de Ana Elisa, parte da percepção pública sobre a direita brasileira passou a ser associada ao bolsonarismo desde a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Ela classificou esse fenômeno como uma espécie de “direita falsificada”.

“Eu acho que a imagem que estamos tendo no Brasil, desde que o Bolsonaro foi eleito, é de uma direita falsificada. Isso não é direita”, disse.

A deputada eleita afirmou ainda que sua avaliação é baseada também na convivência com pessoas de diferentes posições políticas. Segundo ela, há uma distinção significativa entre pessoas que se identificam com a direita como corrente ideológica e aquelas que se identificam especificamente com o bolsonarismo.

“Eu conheço pessoas de direita e conheço pessoas bolsonaristas e existe um abismo entre essas duas pessoas”, afirmou.

A declaração de Ana Elisa coloca novamente em discussão a divisão existente dentro do campo político conservador brasileiro. A parlamentar diferencia a disputa ideológica entre esquerda e direita — característica das democracias representativas — de uma corrente política que, em sua avaliação, não deveria ser confundida com a direita como campo ideológico.

O posicionamento ocorre no contexto da reorganização das forças políticas brasileiras após as eleições de 2026 e da disputa sobre os rumos da direita no país.

Ao defender a legitimidade da existência da direita no ambiente democrático, Ana Elisa também procura estabelecer uma fronteira política entre a divergência ideológica e aquilo que considera incompatível com os princípios democráticos.

Fonte: entrevista de Ana Elisa ao programa Estúdio i, da GloboNews, em 8 de outubro de 2026.