Tradição iniciada em 1972 reúne carroceiros na Romaria de Nossa Senhora das Dores em Juazeiro do Norte

A tradicional Procissão dos Carroceiros e Carregadores de Juazeiro do Norte acontece neste domingo, 13, às 17h, reunindo trabalhadores, familiares, devotos e moradores durante a Romaria de Nossa Senhora das Dores. Organizada pela Fundação Leandro Bezerra de Menezes, a manifestação teve início em 1972 e chega, em 2026, à sua 54ª edição. Além do caráter religioso, a manifestação preserva a memória de gerações de carroceiros e de suas famílias, unindo fé, trabalho, cultura e tradição.
Procissão dos Carroceiros chega à 54ª edição neste domingo em Juazeiro do Norte
Juazeiro do Norte volta a viver, neste domingo, 13, uma das manifestações mais tradicionais da sua religiosidade popular. A partir das 17h, carroceiros, familiares, devotos e moradores da cidade participam da tradicional Procissão dos Carroceiros e Carregadores, manifestação que há mais de cinco décadas integra a programação da Romaria de Nossa Senhora das Dores.
Organizada pela Fundação Leandro Bezerra de Menezes, a tradição teve início em 1972 e chega, em 2026, à sua 54ª edição. O evento nasceu ligado à organização dos trabalhadores que utilizavam as carroças como instrumento de trabalho e, ao longo dos anos, transformou-se também em uma das expressões mais características da fé popular de Juazeiro do Norte.
A concentração e saída acontecem na sede da Fundação Leandro Bezerra. O cortejo segue pela Rua São Pedro tradicional via de Juazeiro, reunindo carroças cuidadosamente preparadas para a ocasião e levando a imagem de Nossa Senhora das Dores, padroeira do município, em meio a orações, cânticos e manifestações de devoção.
A procissão não é apenas um desfile de carroças. Para muitas famílias, representa um compromisso transmitido de geração em geração. Filhos acompanham os pais, netos acompanham os avós e famílias inteiras participam do momento como forma de agradecer pelas graças alcançadas e renovar a devoção à Mãe das Dores.
A origem da procissão está diretamente relacionada à atuação de Leandro Bezerra de Menezes, responsável pela criação da União dos Carroceiros de Juazeiro do Norte. A organização posteriormente passou a ser vinculada à Fundação Leandro Bezerra de Menezes.
Após a morte de Leandro Bezerra, sua esposa, Salete Bezerra, deu continuidade à tradição e manteve a ligação da família com os carroceiros e com a Festa de Nossa Senhora das Dores.
A participação da família Bezerra de Menezes permanece, portanto, como parte da própria identidade do evento.
Registros históricos mostram que, já há décadas, a procissão reunia dezenas de carroceiros e atraía moradores para a Rua São Pedro. Em 2017, por exemplo, cerca de 80 carroceiros participaram do cortejo, acompanhados por grupos de tradição popular, fanfarras e Banda de Música.
A história da procissão também conta um pouco da transformação econômica e social de Juazeiro do Norte.
Durante décadas, a carroça foi um dos principais instrumentos de trabalho para muitas famílias. Era utilizada no transporte de mercadorias, materiais e produtos pelas ruas da cidade. Para trabalhadores de origem humilde, a carroça representava uma fonte de renda e sustento familiar.
Por isso, participar da procissão significava também apresentar publicamente aquilo que garantia o sustento da família.
Um dos depoimentos registrados em edições anteriores resume esse sentimento. Carroceiros afirmavam participar da procissão não apenas pela fé, mas também para agradecer pelo trabalho que permitia colocar comida dentro de casa.
Com o avanço dos veículos automotores e a transformação da atividade econômica, o número de carroças existentes em Juazeiro diminuiu. Ainda assim, a procissão sobreviveu e ganhou uma dimensão que ultrapassa a própria categoria profissional. Hoje, ela é também um patrimônio afetivo e religioso da cidade.
A Procissão dos Carroceiros ocupa lugar especial no calendário da Festa e Romaria de Nossa Senhora das Dores.
O cortejo tradicionalmente acontece nos dias que antecedem o 15 de setembro, data dedicada à padroeira de Juazeiro do Norte. Por isso, além de representar uma homenagem à santa, a procissão funciona como um dos momentos que anunciam a chegada dos dias mais movimentados da romaria.
A edição de 2026 acontece neste domingo, 13 de setembro, às 17h, com saída da Fundação Leandro Bezerra, na Rua São Pedro.
Mais do que uma manifestação religiosa, a Procissão dos Carroceiros representa um capítulo vivo da história de Juazeiro do Norte. São 54 anos de uma tradição que atravessou mudanças econômicas, transformações urbanas e diferentes gerações sem perder sua essência.
Neste domingo, quando as primeiras carroças começarem a ocupar as ruas, Juazeiro reencontrará uma parte importante de sua própria memória: a cidade dos trabalhadores, das famílias, dos romeiros, do Padre Cícero e da devoção à Mãe das Dores.
É uma tradição que nasceu entre trabalhadores e se transformou em patrimônio da fé popular juazeirense.