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Flávio Bolsonaro e o desafio de explicar rachadinhas, imóveis e Banco Master

P15 Flavio Bolsonaro nunca deu respostas claras sobre a denuncia das rachadinhas quando ainda era deputado
Flávio Bolsonaro nunca deu respostas claras sobre a denúncia das rachadinhas, quando ainda era deputado | Foto: Site do PT

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisa dar explicações mais claras sobre as denúncias e suspeitas que, ao longo dos últimos anos, atingiram pessoas de seu círculo político e familiar. E ele próprio.  Em política, não basta reagir às acusações classificando-as como perseguição ou tentativa de desgaste. Quando surgem questionamentos envolvendo seu próprio gabinete e sua conduta, a de aliados, assessores ou pessoas próximas, é necessário responder objetivamente à sociedade.

Flávio Bolsonaro tornou-se uma das principais figuras políticas do bolsonarismo e pretende ocupar um espaço cada vez maior na extrema-direita brasileira. Essa posição aumenta também sua responsabilidade pública. Quem busca liderar um campo político precisa demonstrar disposição para esclarecer fatos incômodos.

O histórico político do senador já foi marcado por questionamentos relacionados ao antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e às investigações sobre movimentações financeiras de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. O caso das chamadas “rachadinhas” tornou-se um dos episódios mais controversos de sua trajetória política e, independentemente das disputas jurídicas, permanece como uma questão que faz parte do debate público sobre sua atuação.

Em julho deste ano, veio à tona que o senador e candidato à Presidente da República Flávio Bolsonaro recebeu R$ 500 mil por serviços de advocacia prestados a uma empresa cujo sócio também era diretor de uma companhia ligada ao conglomerado do Banco Master. A operação foi registrada por nota fiscal de 2025. O escritório de Flávio Bolsonaro emitiu três notas fiscais de R$ 500 mil cada, totalizando R$ 1,5 milhão. Duas, destinadas à Copenhagen, foram posteriormente canceladas. A terceira, referente a serviços prestados à Contábil Correa, permaneceu registrada.

O episódio mais relevante, porém, envolve Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Flávio inicialmente negou ter contato com o banqueiro, mas posteriormente admitiu que havia procurado Vorcaro para obter recursos para o filme sobre o pai. Segundo documentos e reportagens, a negociação poderia chegar a R$ 134 milhões, dos quais cerca de pelo menos R$ 63,7 milhões teriam sido pagos.

A situação ganhou peso porque o próprio Flávio havia negado anteriormente qualquer relação com Vorcaro. Depois da divulgação de áudios e documentos, passou a reconhecer o contato e afirmou que se tratava de patrocínio privado para um projeto privado, negando irregularidades.

Outro ponto que merece explicação é a prestação de contas do filme. Flávio afirmou que tornaria público o contrato e que buscaria esclarecimentos sobre a produção, mas, segundo reportagem publicada em agosto, o documento ainda não havia sido apresentado três meses depois. A investigação também busca esclarecer a origem dos recursos utilizados na produção

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira, 9, acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, a empresa que, a mando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fez repasses para o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 2019, o Ministério Público do Rio de Janeiro afirmou haver indícios de que Flávio Bolsonaro e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, utilizaram R$ 638,4 mil em dinheiro vivo (segundo o Ministério Público) para comprar dois imóveis em Copacabana. Segundo os investigadores, a operação poderia estar relacionada à tentativa de ocultar recursos supostamente provenientes do esquema de “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

O uso de centenas de milhares de reais em espécie na compra de imóveis levantou uma pergunta simples: de onde veio o dinheiro?

A própria documentação das transações chamou atenção porque os pagamentos foram registrados em moeda corrente. Em levantamento mais amplo sobre o patrimônio da família Bolsonaro, o UOL identificou dezenas de imóveis adquiridos total ou parcialmente com dinheiro vivo ao longo de décadas. No caso específico de Flávio, foram identificados cerca de R$ 3 milhões em transações imobiliárias realizadas em espécie.

O caso das chamadas “rachadinhas” continua sendo um dos principais pontos de questionamento sobre a trajetória política de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Embora as investigações tenham sofrido importantes reveses judiciais e não tenham resultado em condenação do senador, o episódio deixou questionamentos públicos sobre a movimentação de recursos no antigo gabinete do então deputado e sobre a atuação de pessoas próximas a Flávio.

As suspeitas começaram a ganhar dimensão nacional a partir de relatórios do então Coaf, que identificaram movimentações consideradas atípicas de cerca de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj. O relatório apontou ainda depósitos feitos por assessores e ex-assessores do gabinete na conta de Queiroz.

O caso também chamou atenção pela relação de proximidade entre Flávio e Queiroz. Mesmo depois da explosão das denúncias, o ex-assessor continuou aparecendo no ambiente político ligado ao senador. Em 2026, Queiroz voltou a participar de eventos relacionados à campanha presidencial de Flávio.

Fontes: UOL, G1, The Intercept, Metrópoles e outros