Editorial | O Brasil precisa saber o que está por trás do caso Banco Master

Na reta final desta campanha eleitoral, cresce entre parcelas da sociedade a percepção de que o debate público corre o risco de ser desviado dos problemas que realmente deveriam estar no centro das eleições. Em meio à disputa política, fatos de enorme gravidade institucional e econômica ocupam as manchetes e acabam obscurecendo questões fundamentais para o futuro do país.
É preciso, portanto, separar o espetáculo político daquilo que efetivamente interessa à sociedade.
O Brasil acompanha, nos últimos dias, uma intensa controvérsia envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. No centro da crise esteve a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, medida que provocou forte reação institucional e questionamentos jurídicos.
Independentemente das posições políticas de quem tomou a decisão ou de quem a crítica, uma questão precisa ser respondida: qual é exatamente a base legal para uma medida dessa dimensão e quais são suas consequências para uma investigação que envolve um dos mais importantes escândalos financeiros recentes do país?
É justamente nesse ponto que a sociedade não pode perder o foco.
O caso Banco Master precisa ser investigado até as últimas consequências. É necessário saber quem participou das operações, quais foram os mecanismos utilizados, quais valores circularam, quem recebeu recursos, quais relações políticas e empresariais existiam e se houve favorecimentos, fraudes ou utilização indevida de estruturas públicas e privadas.
Não pode haver investigação pela metade.
Se existirem crimes, os responsáveis precisam responder perante a Justiça. Se houver agentes públicos envolvidos, devem responder como qualquer outro cidadão. Se houver empresários, banqueiros, políticos ou intermediários beneficiados ilegalmente, todos precisam ser alcançados pela investigação.
Da mesma forma, se acusações forem infundadas, isso também precisa ser demonstrado com transparência.
O que não interessa ao Brasil é transformar uma investigação dessa dimensão em uma guerra política entre instituições. Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público e demais órgãos de controle precisam atuar dentro de suas competências, respeitando a Constituição, o devido processo legal e a independência das instituições.
O país já viu, em diferentes momentos de sua história recente, como escândalos financeiros podem envolver uma complexa rede de interesses econômicos, políticos e institucionais. Por isso, o caso Banco Master não pode ser reduzido a uma disputa entre grupos políticos.
O dinheiro público e a confiança da sociedade estão acima das disputas eleitorais.
Na reta final das eleições, candidatos e partidos deveriam discutir emprego, renda, saúde, educação, segurança, desenvolvimento econômico, combate à pobreza e os caminhos para o Brasil avançar. Mas isso não significa ignorar acontecimentos que podem atingir diretamente a credibilidade das instituições e do sistema financeiro.
O eleitor tem direito a saber o que está acontecendo.
Tem direito a saber quem são os investigados, quais são as acusações, quais provas existem, quais decisões foram tomadas e quais serão os próximos passos.
E tem direito, sobretudo, a não ser tratado como espectador de uma disputa de poder travada nos bastidores.
O Brasil precisa de respostas.
O STF precisa explicar suas decisões. A Polícia Federal precisa continuar investigando dentro da lei. O Ministério Público precisa exercer seu papel. E todos aqueles que eventualmente tenham cometido crimes precisam ser responsabilizados, independentemente de sobrenome, cargo, partido político, poder econômico ou proximidade com qualquer autoridade.
A Justiça não pode ter dois pesos e duas medidas.
É justamente por isso que, neste momento, o mais importante é impedir que a disputa política esconda aquilo que precisa ser esclarecido.
O caso Vorcaro e Banco Master precisa ser investigado com profundidade, transparência e independência.
A sociedade brasileira merece saber toda a verdade.