
O reconhecimento dos lugares sagrados de Juazeiro do Norte como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil representa uma conquista histórica para o Ceará e para a cultura popular nordestina. Por trás desse importante título concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), está um trabalho de décadas desenvolvido por pesquisadores da Universidade Regional do Cariri (URCA), que teve papel fundamental na construção do processo técnico que embasou o registro.
A cerimônia de reconhecimento foi realizada na manhã desta quarta-feira, 1º, no Memorial Padre Cícero, reunindo autoridades federais, estaduais e municipais, representantes da Igreja, pesquisadores, escritores, imprensa, grupos de tradição e romeiros, protagonistas da devoção que transformou Juazeiro do Norte em um dos maiores centros de peregrinação religiosa da América Latina.
A contribuição da URCA foi decisiva para a conquista. As pesquisas desenvolvidas pelas professoras Renata Marinho Paz, Fátima Pinho e Lourdes Carvalho, juntamente com equipes de bolsistas e pesquisadores da universidade, forneceram o embasamento científico utilizado pelo IPHAN durante o processo de registro. Ao longo de décadas, o grupo produziu estudos sobre religiosidade popular, patrimônio cultural, memória e os espaços sagrados ligados à trajetória do Padre Cícero, consolidando um acervo acadêmico reconhecido nacionalmente.
Representando a instituição, o reitor Carlos Kleber de Oliveira participou da solenidade e destacou a importância da produção científica da universidade para a valorização da identidade cultural do Cariri. O trabalho da URCA reafirma o papel da instituição como uma das principais referências brasileiras na pesquisa sobre cultura popular, patrimônio e religiosidade.
Durante a cerimônia, o secretário de Formação Cultural do Ministério da Cultura, Fabiano Piúba, ressaltou que o reconhecimento dos lugares sagrados de Juazeiro do Norte ultrapassa a preservação da memória religiosa. Segundo ele, o registro fortalece também a candidatura da Chapada do Araripe ao título de Patrimônio Mundial da UNESCO, processo que igualmente conta com significativa participação dos pesquisadores da URCA.
Mais do que uma conquista patrimonial, o reconhecimento evidencia a relevância da universidade pública na produção de conhecimento científico voltado à preservação da história e da identidade regional. Ao transformar décadas de pesquisa em políticas de proteção cultural, a URCA consolida sua missão de integrar ensino, pesquisa e extensão em benefício da sociedade e reafirma seu protagonismo na valorização do patrimônio histórico e cultural do Cariri.