3 de julho de 2026
p.19 - Canudos quando o sertão virou resistência - foi tema da quadrilha Revolução Junina de Canindé, no Ceará

 

Nas festividades juninas de 2026 a força coletiva dos dançarinos, dançarinas e equipe de apoio da Quadrilha Revolução Junina do Assentamento Santana da Cal, do Distrito de Bonito, Zona Rural de Canindé (CE), fizeram ecoar nas diversas apresentações um  grito de: – “Um povo forte, de fé inabalável, que transformou a luta em resistência”. A história de resistência abordado no enredo junino pela Quadrilha Revolução Junina, que revela a luta coletiva por terra e justiça social nos territórios de Reforma Agrária Popular, vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), unindo cultura popular, memória e arte, reafirmação a identidade local do território camponês.

A composição e a formação do coletivo cultural da Quadrilha Revolução Junina é de estudantes pertencentes a Escola de Ensino Médio Profissional do Campo Filha da Luta Patativa do Assaré  (EEMPC) de Canindé – Ceará; instituição educacional que desde a sua criação (2016) tem: – “alicerçado sua prática educativa na formação humana para transformação dos sujeitos, adotando a cultura como matriz formativa, ao lado do trabalho, de justiça social, organização coletiva e história”.

Consultando o projeto muito bem sistematizado/estruturado (2026) da Quadrilha Revolução Junina, compreende-se que: – “A Guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro, mostra um Brasil que até hoje é um marco da luta social e resistência popular diante das desigualdades estruturais [existentes no] Brasil, que ainda marcam a realidade presente”. “No sertão, a dor nunca foi maior que a coragem” de querer viver e de lutar por dias melhores. Com isso, Canudos é a prova inegável de que o sertanejo nunca se rendeu aos caprichos da “república”.

O grupo junino é formado por 50 integrantes, entre dançarinos (brincantes) e equipe de organização. Nas diversas apresentações do ciclo junino 2026, os espetáculos (articulou) incorporaram elementos históricos da Guerra de Canudos, que foi símbolo da resistência do povo sertanejo frente às opressões dos grandes latifundiários. O tema e ideia central mostrou:

  1. a) a cultura popular, memória histórica, identidade nordestina;
  2. b) promoveu uma profunda reflexão sobre as desigualdades sociais da luta pela terra envolvendo a questão agrária camponesa com base na história de Canudos;
  3. c) fez um paralelo entre a obra “Os sertões” de Euclides da Cunha;
  4. d) valorizou a cultura nordestina;
  5. e) reconheceu a importância dos movimentos sociais na defesa dos direitos de luta pela terra e melhoria das condições de vida dos povos do campo;
  6. f) um povo sofrido pela seca, que nunca perdeu a esperança de lutar por justiça social;
  7. g) inclusão social por meio da cultura junina e do pensamento crítico participativo dos sujeitos expondo as tradições e belezas do sertão nordestino, por meio da poética musical e animação.

FORMAÇÃO E TREINAMENTO DO GRUPO JUNINO

Nas ações de formação veio permitiu aos quadrilheiros (brincantes e equipe de apoio) terem noções e aprofundar o entendimento da questão agrária camponesa, onde constou de uma série de atividades que deu vida ao enredo junino desenvolvido com muita habilidade. Podemos listar um repertório de atividades potencializada de maneira rápida e dinâmica como:

Oficinas, seminários gerando as primeiras reflexões e debates com a juventude; com às comunidades sobre a preservação da cultura popular nordestina;

Leitura do trecho do livro “ Os sertões” de Euclides da Cunha;

Estudo mediado pelo filme “Canudos”, exibido na escola;

Café literário, culminando com a produção criativa dos arranjos e adereços para os(as) quadrilheiros(as);

Restauração do figurino para adequação (adaptação) ao tema da quadrilha. O figurino traz tons em laranja, marrons e outros tons, destacando o estilo do cangaço e do sertanejo.

 AGENDA DE APRESENTAÇÕES

Ao longo de muitos ensaios os quadrilheiros (brincantes) da Quadrilha Revolução Junina realizaram diversas apresentações nos assentamentos, comunidades próximas e diferentes locais:

🔺 20/06 – EEMPC Antônio Taváres – Assentamento Logradouro  – Canindé

🔺 27/06 – EEMPC Javan Rodrigues – Distrito de Salitre – Canindé (CE)

🔺 0107 – ARRAIÁ da EEMPC – Filho da Luta Patativa do Assaré – Assentamento Santana da Cal – Canindé

A Profa. Márcia Cristina, (membro da equipe de apoio) da Quadrilha Revolução Junina, relatou para o Cultura em Debate que: – “Este ano tivemos muitas dificuldades, não é fácil custear despesas e organizar a estrutura de uma quadrilha, desde a elaboração do tema, produção e apresentação. Assim, como a elaboração do projeto para concorrer ao fomento, que é uma política pública da secretaria de cultura que visa apoiar as quadrilhas camponesas”. Ela continuou afirmando que: – “O  fomento que recebemos dá uma grande ajuda para garantir o básico de estrutura para conseguirmos fazer uma boa apresentação, mas, infelizmente em 2026, tivemos muita dificuldade por conta da concorrência, embora tenha  aumentado o número de vagas para as quadrilhas camponesas via SECULT-CE”.

Para a educadora Viviane Bezerra, que é apaixonada pela a cultura nordestina, acompanha a Revolução Junina desde 2019, ela atuou como dançarina da Quadrilha Revolução Junina, e tem contribuído para produção dos projetos culturais. Ela afirmou que: “Participo da organização dos ensaios, da articulação da equipe, acompanhamento das demandas administrativas e da valorização da identidade cultural presente em cada espetáculo apresentado”. Continuou afirmando: – “Esse trabalho exige compromisso, dedicação e diálogo constante com todos os envolvidos, buscando fortalecer a cultura popular nordestina e garantir que a Quadrilha Revolução Junina continue promovendo arte, tradição e transformação social por meio da cultura”. Ela concluiu: “Em 2026, enfrentamos importantes desafios para manter nossas atividades e apresentações; entre elas, a não aprovação no edital de fomento do Ceará Junino, o que impactou no planejamento financeiro; apesar das dificuldades, a equipe permaneceu unida e comprometida, buscando alternativas para garantir a continuidade do trabalho cultural desenvolvido pela quadrilha. Esse cenário reforçou ainda mais a importância da resistência, da coletividade e da valorização das manifestações culturais populares, demonstrando a força e a dedicação de todos”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *