3 de julho de 2026
p.16

Artigo do professor Oberdan Leite

 

Manifestava-se uma convicta professora numa reunião de Diretores de Turma em tom de pedido aos colegas:

– Gente, estes aqui são alunos muito bons, mas não atingiram a média. Não foram alunos destaques, mas são bons alunos. A professora parecia querer duas alternativas: manter a média baixa que havia dado e, ao mesmo tempo, manter aqueles alunos como destaques da sala. Mas não poderia fazê-lo porque só eram considerados destaques os alunos com média a partir de oito. Em síntese: queria dar nota oito, mas algo não permitia. Queria torná-los destaques, mas as normas não deixavam. Senti um profundo conflito de valores naquelas palavras. Qual das duas escolhas seria ética e moralmente correta?

Os conceitos e valores da professora estavam num estado tão conflitante que ela pedia ajuda aos seus colegas sobre qual decisão tomar. E aqueles colegas que queriam fugir do conflito ético e moral a que foram expostos, logo diziam:

– A decisão é sua. Você é a Professora Diretora de Turma!

Naquele momento percebi o conceito de avaliação numa corda bamba. Estava o conceito entre ser resultado de um processo diagnóstico com a finalidade de inclusão (que seria ótimo) e ser um processo classificatório onde se colocava o aluno como resultado de notas ditas avaliativas, mas que, muitas vezes, eram punitivas.

Aprendi com um padre professor de redação que a moral, tendo origem do latim “morales”, refere-se aos costumes. É um conjunto de regras aplicado no dia-a-dia. Já a ética, do grego “ethos”, significa o lugar onde as pessoas habitam, ou seja, o modo de ser de cada um, o caráter.

Em pleno século XXI, a ética avaliativa do educador não permite mais ter um aluno em valores puramente quantitativos: alunos são notas.   A ética do bom educador enxerga, sim, a situação de aprendizagem em que o aluno se encontra e, a partir de então, direcionar recursos metodológicos respeitando seus ritmos de aprendizagem. Assim sendo, a ética do educador ajuda na edificação moral do aluno.

Aquele momento de “não saber o que fazer” vivido pela professora por falta de convicções corretas trouxera-lhe a angústia da indecisão. Ela parecia esperar alguém que direcionasse o curso daquele momento porque o conflito lhe tomara de tal forma que as respostas adequadas e precisas não lhe vinham à boca. E ela precisaria buscar seus valores intrínsecos e transformá-los no combustível de sua ação.

Se decidirmos pelo arredondamento de uma somatória de notas prontas para uma satisfação de resultados bimestrais, não enxergaremos o aluno. O aluno é um sujeito de lapidação. O imediatismo não enxerga no aluno a continuidade do aprender, do querer, do fazer e do ser. O verdadeiro educador enxerga que todas as forças do universo individual e plural corroboram para que o aluno, antes invisível aos nossos olhos como ser, finalmente cresça e apareça. Isso é transcendentalismo educacional.

Só sei que ali estavam: ela buscando nos colegas o que fazer e eles se desfazendo dela por não querer fazer.

 

Moral: Ideias sem atitudes não são ideias, são impossibilidades.

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