
Procissão de Nossa Senhora de Fátima, que saiu às 18h da Igreja do Carmo, no Centro de Fortaleza, em direção ao Santuário, no Bairro de Fátima (Foto: Fernnda Barros).
Ruas do Centro de Fortaleza e adjacências foram tomadas por pedidos de graças e agradecimentos a Nossa Senhora de Fátima na noite desta quarta-feira, 13, durante a procissão que ocorre anualmente em sua homenagem. De crianças a adultos, milhares de fiéis partilharam do momento, unidos pela fé e devoção.
Cortejo saiu da Igreja do Carmo pouco depois das 18 horas, com a imagem da santa traçando um percusso guiado por cânticos e orações. Muitos dos devotos se aglomeravam ao entorno dela, caminhando enquanto as mãos se revezavam entre terços e velas, usadas como símbolos de iluminação e esperança.
Em uma esquina próxima, Carlos Rodinelle, 46, observava o inicio do trajeto. O entegrador, que todos os anos participa do evento religioso, parou sua bicicleta, cerrou os olhos e rezou silenciosamente.
Quando indagado sobre o que conversava com a santa, o homem de jeito timido confidenciou: “Meu primo sofreu um acidente de moto, aí eu tô pedindo pela cura [dele]”.
Poucos passos dali, em meio a multidão, um outro pedido de graça era feito. Andrea Nogueira, 50, rezava pela saúde de uma das filhas. “Eu sou devota de Nossa Senhora e estou pedindo uma graça a ela”, disse a comerciante sem se alongar, mas com a emoção já transbordando na voz e marejando os olhos.
Pela primeira vez na procissão, ela caminhava ao lado da filha mais nova, Valentina Nogueira, de 8 anos. “[Tá] Muito legal! muito bonito!”, observa a pequena, com os olhos curiosos e ancorada na mãe.
Procissão chama a atenção de moradores
Enquanto fiéis caminhavam, um carro de som guiava o momento com orações e músicas que pediam, entre outros, para Nossa Senhora encher os corações de todos com “uma alegria que nunca se acaba”.
O grande número de fiéis nas ruas chamava a atenção de moradores por onde a procissão passava. Eles acendiam luzes, observavam das janelas, saiam para olhar de perto. Em alguns trechos era comum observar imagens da santa colocadas nas calçadas, “altares” por onde os fiéis passavam e se benziam.
Na janela de Maria Valéria, 58, uma estátua média de Nossa Senhora de Fátima brigava por espaço com uma placa que carregava os dizeres “vende-se dindin”. Sem poder acompanhar a caminhada, por razões familiares, ela estreitava os olhos pelo espaço e rezava junto com quem andava na rua.
“Estou com uma tia que quebrou o fêmur e hoje o pedido vai ser pra ela, que a recuperação dela venha logo e que ela volte logo pra casa”, diz a devota, completando que também tem muito a agradecer a santa.
O sentimento de gratidão é partilhado por Maria Socorro, 59. A aposentada sofreu um acidente doméstico que machucou sua coluna e a fez passar três meses deitada, sem poder se locomover direito.
Morando em uma rua próxima de onde a procissão teve inicio, ela arriscou ir espiar o movimento mas voltou logo, ficando sentada em frente a sua casa para observar a caminhada e rezar junto aos demais fiéis. “Ela [Nossa Senhora de Fátima] é muito importante para a minha vida. […] Eu estava fazendo o meu pedido e agradecendo a ela, que eu estou andando, eu estou andando”, conta, com a voz embargada.
Procissão acontece nesta data em homenagem ao dia 13 de outubro de 1917, considerada a última aparição da Virgem Maria na Cova da Iria, em Portugal. Cortejo teve como destino o Santuário, no Bairro de Fátima, onde uma missa campal estava marcada para acontecer às 20 horas.
Com informações do O Povo