14 de abril de 2026
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Imagem: Freepik.

Texto de Lívia Monteiro de Carvalho
Especialista alerta para riscos que vão de fraturas dentárias a perfurações internas
 
Pode parecer instintivo, mas oferecer ossos para cães costuma comprometer a saúde do pet. Essa prática está associada ao processo de domesticação e à ideia de que animais carnívoros precisam caçar, desconsiderando, muitas vezes, as características das raças e os avanços na nutrição animal.
Do ponto de vista nutritivo, a medula (conhecida como tutano) é rica em gorduras e costuma despertar comportamentos naturais, além de contribuir para o desgaste mecânico dos dentes. No entanto, para acessá-la, é necessário quebrar a estrutura óssea. Esses fragmentos, muitas vezes pontiagudos, podem perfurar órgãos internos, causar engasgos ou não serem digeridos corretamente.
De acordo com a veterinária Andressa Pinheiro, docente do curso de Medicina Veterinária do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau Juazeiro do Norte, acidentes envolvendo ossos não são raros, especialmente com ossos cozidos de galinha, podendo exigir intervenção cirúrgica. “O processo térmico do cozimento altera a estrutura, o deixando mais seco, rígido e quebradiço. Isso favorece a formação de lascas pontiagudas, que costuma causar perfurações na boca, no esôfago e no intestino, além de obstruções gastrointestinais e lesões internas graves”, afirma.
Apesar de menos quebradiços, ossos crus ou produtos vendidos em lojas especializadas também exigem cautela. Segundo a especialista, é fundamental considerar a orientação do médico-veterinário, além de fatores como o porte do animal em relação ao petisco e o tipo de material, já que itens excessivamente duros podem provocar fraturas dentárias.
Diante disso, a recomendação é investir em alternativas apropriadas, como brinquedos mastigáveis específicos, enriquecimento ambiental com alimentos (ração em brinquedos interativos), petiscos naturais seguros e formulados para mastigação e produtos odontológicos aprovados para os animais de estimação. O tutor também deve estar atento aos sinais clínicos do pet, pois podem indicar complicações no bem-estar do animal.
“Os sintomas variam conforme a lesão, mas os mais comuns incluem vômitos ou ânsia, dificuldade para engolir, salivação excessiva, apatia, dor abdominal, perda de apetite, fezes com sangue ou constipação, além de inquietação ou vocalização. Em casos mais graves, podem ocorrer sinais de obstrução ou perfuração intestinal, que exigem atendimento imediato”, explica Andressa.
Para complementar a alimentação, o ideal é optar por alternativas seguras e recomendadas por profissionais. Preparações caseiras devem ser feitas com orientação adequada, evitando ingredientes tóxicos como cebola e alho. “Com isso, estamos promovendo o estímulo mental, a redução de estresse, a saúde oral e, consequentemente, contribuindo para o bem-estar dos pets sem os riscos associados aos ossos”, recomenda a professora do curso de Medicina Veterinária da UNINASSAU Juazeiro do Norte.

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