
Por Danilo Forte, advogado e deputado federal
Nos últimos meses, o Ceará registrou uma redução significativa nas mortes violentas. À primeira vista, o dado é motivo de alívio e celebração. Depois de anos de insegurança que marcaram a vida de milhares de famílias, qualquer sinal de estabilidade desperta esperança legítima na população.
Entretanto, é preciso cautela ao interpretar esses números. A história recente do estado mostra que existe um ciclo de quedas abruptas na criminalidade, que costumam refletir em uma vitória das políticas de segurança. Não se deixe enganar. Esse fenômeno não é novo: na década passada o Ceará também viveu um momento de aparente trégua, com os índices de homicídios despencando. Pouco tempo depois, vieram os enfrentamentos sangrentos entre grupos rivais e o consequente aumento das mortes.
A dinâmica se repete agora. Facções criminosas alternam entre ciclos de conflito aberto e pactos temporários, ajustando suas próprias regras de convivência à margem do Estado. Enquanto isso, as comunidades seguem reféns dessa lógica perversa, onde a paz é sempre condicional e temporária.
Para romper esse ciclo, é preciso ir além da contenção circunstancial adotada pelo Estado do Ceará. Desarticular as redes de poder que alimentam o crime exige inteligência policial de ponta, investimento maciço em força combativa. As Forças Armadas, com efetivo ocioso, são um caminho para iniciar o enfrentamento. As forças do terror espalharam-se pelos quatro cantos do estado e dominam a economia paralela com mãos de ferro.
O Ceará não pode ficar refém da vontade de poucos por períodos temporários de calmaria. Uma sociedade verdadeiramente segura é construída quando o cidadão confia que a paz não depende do humor das facções, mas da força da justiça, da permanência de programas efetivos de segurança, de inteligência e combate ao crime organizado.
Os números são apenas parte da história. O desafio está em transformá-los em realidade duradoura, para que o cearense possa viver com segurança e dignidade, sem a sombra constante da violência.