
Talvez a mensagem mais forte do presidente Lula em sua visita ao Ceará não tenha sido apenas as obras que ele destinou ao Ceará nos últimos quatro anos de seu terceiro mandato. Ou investimentos como a construção do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) em Fortaleza. Ou diversos outros projetos com investimentos de bilhões de reais.
O presidente Lula ao falar sobre política, eleições, tática eleitoral e alianças políticas e partidárias deu o verdadeiro caminho das pedras: o Partido dos Trabalhadores precisa saber compartilhar o poder. Em um momento em que o PT cearense se debruça sobre a situação política atual em que uma das dificuldades é a pré-candidatura do ex-governador Ciro Gomes que aparece na frente em todas as pesquisas eleitorais é preciso ter habilidade para superar as dificuldades e vencer as eleições em outubro.
Uma derrota do PT no Ceará será uma grande derrota não apenas para o PT local, mas para o próprio presidente Lula, mesmo que ele seja reeleito.
Ao comentar a atuação de Ciro, Lula adotou um tom crítico, classificando-o como um político “destemperado”, que frequentemente fala sem medir as consequências. Segundo o presidente, esse comportamento acaba dificultando a construção de alianças e o diálogo político — fatores considerados essenciais em disputas eleitorais.
Apesar das críticas, Lula evitou um confronto direto mais duro e fez questão de reconhecer a trajetória de Ciro Gomes na vida pública. O presidente destacou que o ex-ministro já contribuiu com o país e possui experiência política relevante, especialmente no Ceará, onde mantém forte presença e influência.
Portanto, Lula afirmou muitas coisas.
Em primeiro lugar Elmano de Freitas é candidato à reeleição e Camilo Santana terá papel fundamental no desenho da eleição cearense e deve ajudar o PT no cenário nacional e no Nordeste. E disse: “O Elmano merece ser o candidato, tem todas as condições e vai ser reeleito”, disse Lula.
Lula destacou que o partido não pode concentrar todos os cargos majoritários. “O PT tem aqui no Estado o governador, tem o prefeito da cidade, tem o senador Camilo. O PT não pode querer ter todos os senadores, todos os prefeitos”, afirmou. Segundo ele, “é preciso que a gente compartilhe com os aliados a governança”, reforçando que a montagem da chapa deve contemplar outras siglas.
O presidente fez referência à trajetória da ex-prefeita de Fortaleza.
“Ela queria ser candidata a prefeita, ela queria ser candidata a governadora, ela queria ser candidata ao Senado, ou seja… Ela tem o direito, ela foi prefeita da capital, foi uma bela prefeita da capital, trabalhou muito, mas ela precisa compreender a realidade política da cidade, senão a gente vai ficar sozinho, e sozinho a gente tem mais dificuldade. Porque qual é o nosso problema? O nosso problema é eleger senador da república, nós precisamos construir a maioria do Senado, nós precisamos eleger governadores, precisamos eleger deputados e eleger presidente da República. Porque você não faz composição só com quem você gosta. Quem você gosta já está com você. Você tem que fazer composição com aquelas pessoas que pensam diferente de você, mas que são capazes de construir minimamente um projeto para o estado, um projeto para o país. É isso que eu acho que o Ceará está buscando”, afirmou o presidente.
Em relação a Guimarães, Lula reconheceu sua relevância política, mas indicou limites para a viabilidade da candidatura. “O Guimarães tem história no PT, foi um deputado muito bem votado, é o líder do governo, tem muitas qualidades. Mas muitas vezes só isso não basta, não tem mesmo a correlação de força suficiente para eleger um candidato”, afirmou o presidente.
Para finalizar, Lula destacou que Camilo não deve disputar cargos eletivos no Ceará neste momento, afirmando que ele é mais importante atuando como articulador político. Em uma de suas falas mais diretas, o presidente afirmou: “Camilo é cabo eleitoral”, deixando claro que sua função será ajudar na construção de alianças e no fortalecimento do projeto político do governo.
Além disso, o presidente elogiou o desempenho de Camilo à frente do Ministério da Educação, associando sua gestão a avanços importantes, especialmente na área da alfabetização infantil e na ampliação de oportunidades educacionais.
A visita de Lula ao Ceará pode ser interpretada como um movimento estratégico de aproximação com lideranças regionais, em um momento em que partidos e grupos políticos se articulam para o próximo pleito nacional.
A presença de Lula no Ceará reforça o peso político do estado no cenário nacional e evidencia a importância do Nordeste nas disputas eleitorais. Ao mesmo tempo, os anúncios feitos durante a agenda sinalizam a tentativa do governo de consolidar entregas concretas que possam repercutir diretamente na avaliação da gestão federal nos próximos anos.