6 de maio de 2026
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Foto: Valter Campanato | Agência Brasil

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, assinou nesta quinta-feira (19) um termo de confidencialidade com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento marca o início formal das negociações para uma delação premiada no âmbito da Operação Compliance Zero.

Horas depois, o ministro André Mendonça (STF) autorizou a transferência imediata do banqueiro da Penitenciária Federal de Brasília de regime de segurança máxima para uma cela na Superintendência da PF. A mudança, realizada de helicóptero na noite de quinta, facilita o contato direto e sigiloso com investigadores e a defesa.

Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março, quando foi deflagrada a terceira fase da operação. Ele responde por fraudes bilionárias no sistema financeiro (estimadas em pelo menos R$ 17 bilhões), emissão de títulos falsos, lavagem de dinheiro, organização criminosa e pela montagem de uma “milícia privada” para monitoramento e intimidação de testemunhas e jornalistas. O próprio ministro Mendonça destacou em despacho a atuação direta de Vorcaro nas estratégias ilícitas do banco.

Os próximos passos da delação

A defesa, agora comandada pelo criminalista José Luís Oliveira Lima (Juca) — o mesmo advogado da delação de Léo Pinheiro na Lava Jato —, busca maximizar os benefícios da colaboração. O processo segue rigorosamente a Lei 12.850/2013 e é inédito pela atuação conjunta e simultânea de PF e PGR desde o início. Os próximos passos da delação seguem rigorosamente a Lei 12.850/2013 e são inéditos pela atuação conjunta e simultânea de PF e PGR desde o início: atualmente estão em negociações preliminares, seguidas pela formalização do acordo escrito, homologação pelo ministro Mendonça no STF, execução com depoimentos, entrega de provas e indicação de coautores (com prazo de até 6 meses), validação prática das informações pela PF e PGR, e finalmente a definição dos benefícios, como redução de pena de 1/3 a 2/3, semiaberto ou perdão judicial.

Investigadores esperam revelações explosivas sobre relações de Vorcaro com políticos do Centrão, o Executivo e até membros do Judiciário. O caso já gera forte apreensão em Brasília e pode influenciar o tabuleiro das eleições gerais de 2026.

O escândalo do Banco Master — que já causou prejuízos bilionários a investidores, fundos de pensão e pequenos poupadores — mais uma vez expõe a face predatória do capital financeiro brasileiro. Enquanto uma elite enriquece com fraudes e títulos falsos, trabalhadores e aposentados arcam com os prejuízos. A possível delação de Vorcaro pode ajudar a desvendar o esquema de lavagem de dinheiro do mercado financeiro e a rede de influência e corrupção em órgão de fiscalização.