13 de março de 2026
p.8.2

Imagem: Desenvolvida por IA

COLUNA O VERBO FEMININO

POR ÍRIS TAVARES

A história de luta e resistência das mulheres cearenses atravessaram nossas vidas e marcaram definitivamente o passado e o presente – futuro do universo feminino que habitam as bordas e a margem nos diversos ambientes ocupados por nossos corpos – territórios. Desde Bárbara de Alencar, Beata Maria de Araújo, Emília Freitas (A Rainha do Ignoto), Cacique Pequena, Maria Luíza Fontenele, entre outras. São mulheres que estão fincadas no nosso imaginário e que contribuíram, deveras, para a construção do sujeito e da dignidade feminina que florescem ao longo do tempo. Todo esse protagonismo carrega consigo um recorte comovente que se traduz na campanha “Quem Ama não Mata!” Lema das mulheres durante os anos de 1970 e 1980.

Um grupo de mulheres feministas, especialmente, Argentina Meneses, Darciane Barreto, Ana Edite Studart, Martir Silva e Tereza Esmeraldo dedicaram-se na divulgação da campanha e mais ainda, desenvolveram ações de apoio às mulheres vítimas de violência no Ceará. Implantaram o Centro Popular da Mulher. Vale ressaltar que não havia por parte do poder público governamental, nem orçamento e nem uma ação voltada para a garantia de direitos das mulheres, quer seja no acolhimento ou na proteção de mulheres vítimas de violência. Foi com esse movimento aguerrido que se intensificou a reivindicação em defesa da implementação da Delegacia da Mulher e do Conselho Estadual da Mulher. Muita luta! Uma das estratégias utilizadas pelas companheiras do Centro Popular da Mulher (CPM), incluía a sede no centro da cidade, cujo custeio advindo das contribuições financeiras das nossas mulheres guerreiras foi providencial. Além da disposição de cada uma para cobrir os plantões no CPM, atendendo e acolhendo às mulheres vítimas de violência. Por meio de uma rede de articulação e solidariedade envolvendo o Ministério Público, a advocacia popular e profissionais da área de saúde. Buscavam doações de remédios, vestimentas e alimentos para suprir as necessidades básicas das mulheres e das crianças.

Mulheres foram abrigadas em lares solidários que salvaram suas vidas de um final trágico. O movimento tinha sua itinerância nos bairros, comunidades e no interior do estado. Focado nos ambientes com altos índices de vulnerabilidade social das mulheres. Contudo essa experiência nos enriquece de ensinamentos e nos mostra que o amor e a arte é capaz de realizar. A filha de Argentina Meneses, desde seus 9 a 13 anos de idade, acompanhava a mãe nessas reuniões, a pequena Ercila Meneses dançava ballet, e era a grande atração das reuniões, pois a sua presença garantia a ida das mulheres que levavam suas crianças para ver e aprender com a doce e pequena bailarina, por outro lado, a estratégia garantia um álibi para que as mulheres pudessem sair em segurança, sem ser vigiada pelo seus agressores e enquanto participavam da terapia, os seus filhos/as estavam preservados do sofrimento e da dor de suas mães, que tentavam se aliviar da condição de maltrato e violência a qual estavam submetidas. 

É para essas mulheres notáveis e a menina bailarina, hoje, mulher bailarina e advogada popular que nós outras e tantas mulheres em defesa da participação da mulher e da democracia agradecemos pelo exemplo e a ousadia de lutar sempre. Nossa gratidão.

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