6 de março de 2026
Nossos corpos continuam queimando sob os escombros da guerra

Foto: Reprodução/Redes Sociais

COLUNA O VERBO FEMININO

POR ÍRIS TAVARES

Nossos corpos continuam queimando sob os escombros da guerra

Nesse 8 de março preferimos refletir com as mulheres, leitoras ou não da nossa coluna “O Verbo Feminino”. Falar sobre a dominação e a exploração dos nossos corpos que perduram ao longo do processo histórico da humanidade é retirar os véus de uma sociedade, desde seus primórdios marcada pelo patriarcado, cujo modelo econômico – sistema capitalista – conseguiu sofisticar as formas e os meios de dominação do gênero masculino (machos) sobre o gênero feminino (fêmeas). Toda a riqueza acumulada no planeta terra foi à custa do sofrimento, da tortura e do sacrifício das mulheres. Portanto, o mundo dos machos tem uma dívida estratosférica para com as mulheres negras (pardas), brancas, indígenas, amarelas, quer sejam pele-vermelhas, ciganas, lésbicas, mulheres trans e o universo feminino que povoa a terra.

Nós mulheres somos tratadas como corpos que servem aos interesses capitais do tráfico humano, pessoas passivas a posse e a violência, produtos de prateleira que servem de experimento aos mais variados gostos, conforme propaga a sociedade de consumo. Os predadores e canibais apreciam a carne de mulheres, na antiguidade, na idade média, na moderna e na atualidade. As grandes fogueiras foram acesas para queimar mulheres em praças públicas e nos vilarejos, mundo a fora. Ilhas particulares de magnatas, bilionários e príncipes, funcionam como campo de concentração, cujo intuito é aprisionar meninas e mulheres vulneráveis com a finalidade do uso indiscriminado da posse e do domínio sobre essas criaturas. Um sistema vigente que arrebenta com os princípios democráticos e os direitos humanos conquistados em toda a história da humanidade.

Não podemos esperar nada desse sistema podre e carcomido que se alimenta da tragédia e da desgraça do que eles chamam de sexo frágil. Sobrevivemos a escravidão, a caça às bruxas na santa inquisição, ao caso das “Radium Girls” (1920), ao “Confort Women” e ao massacre e estupro como arma de guerra na segunda guerra mundial, o nazismo. O assassinato das irmãs Mirabal (1960), os crimes sexuais de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, a rede do bilionário Jeffrey Epstein, e, mais recente milhares de iranianos compareceram na última terça-feira (3) ao funeral de 165 meninas em uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã. As vítimas foram atingidas por mísseis durante a ofensiva de EUA e Israel contra o país.

Por outro lado, a ONU tem alertado que, “ainda hoje, o lar é o lugar mais perigoso para mulheres, com cerca de 85 mil assassinatos de mulheres e meninas por parceiros ou parentes”, dados revelados em 2023, entretanto a última reunião do Conselho de Segurança da ONU na segunda feira (2) pela primeira vez a esposa de um líder mundial em exercício presidiu a reunião do Conselho de Segurança, órgão da ONU composto por 15 membros e responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais. Isso é sério?!

Melania Trump é a esposa de Donald Trump, conforme os arquivos de Epstein que vieram a público, o casal participava do círculo de amizade de encontros com daquele que liderou a rede internacional de tráfico humano, prostituição e pedofilia no planeta. A irmandade dos predadores. A ONU deu um tapa na cara de todas nós crianças, meninas, mulheres e vulneráveis. Mesmo assim nós vamos sobreviver. Parem de nos matar!

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