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Por Tiago Pereira, professor
A ideia de que Juazeiro do Norte vive sob o peso de promessas acumuladas não é infundada. Quem anda com atenção pelas ruas da cidade logo percebe o cenário de abandono. A obra de macro drenagem, tantas vezes anunciada como a “salvação” definitiva contra as inundações e alagamentos, tornou-se o símbolo de um problema muito maior: a fragilidade de uma gestão que enfrenta dificuldades em diversas frentes fundamentais.
A Juazeiro do Norte que os moradores e visitantes experimentam no dia a dia é muito diferente da cidade do discurso do Prefeito, e seus problemas vão muito além das enchentes. A cidade real enfrenta desafios crônicos e o atual grupo gestor, que já está em seu sexto ano, não conseguiu ainda dar respostas efetivas. Não há um único serviço público que seja apontado pelos cidadãos como referência pela qualidade.
A educação, pilar fundamental para o desenvolvimento de qualquer município, também reflete o momento difícil. Dados do IDEB mostram que a rede municipal tem enfrentado dificuldades para atingir as metas projetadas, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental. Enquanto a gestão municipal faz o discurso de modernização, o desempenho consolidado nos índices revela que a aprendizagem ainda está abaixo do esperado para o potencial da cidade. Na saúde, a precariedade da atenção básica acaba por criar um efeito cascata, sobrecarregando as unidades de média e alta complexidade.
Um dos pontos mais preocupantes e que revela a limitação do grupo político da gestão atual gestão, certamente é a situação da Previdência Municipal. O Ministério Público do Ceará (MPCE) tem cobrado ativamente a regularização de uma dívida vultosa — estimada em R$ 114 milhões — com o Fundo Municipal de Previdência dos Servidores de Juazeiro do Norte (PREVIJUNO). Embora a atual gestão afirme que os pagamentos de aposentados e pensionistas estão rigorosamente em dia, o passivo previdenciário e os estudos atuariais apontam para um horizonte preocupante. A cobrança do MPCE destaca o risco de que a falta de medidas concretas para sanar esse débito possa levar a inquéritos por improbidade administrativa, colocando em xeque a sustentabilidade do fundo a longo prazo.
A cidade clama por uma virada de página onde a transparência não seja apenas uma palavra nos relatórios oficiais. Por fim, perguntamos qual serviço público municipal é exemplo de funcionamento na gestão Gledson Bezerra?