
No próximo 8 de março, Dia Internacional da Mulher, mulheres de todo o Brasil e do Nordeste vão às ruas exigir o fim da escala de trabalho 6×1, um modelo que obriga trabalhadoras e trabalhadores a trabalhar seis dias e descansar apenas um, agravando a sobrecarga física, emocional e a dupla jornada que recai especialmente sobre as mulheres.
A mobilização ganhou ainda mais força em 2026 como parte de uma agenda nacional de lutas feministas, que também coloca no centro da pauta a combate à violência, ao feminicídio, à desigualdade salarial e à precarização do trabalho.
O movimento feminista unificado pelo 8M afirma em seu manifesto que a luta pelo fim da escala 6×1 está diretamente ligada à vida das mulheres trabalhadoras — das cidades, do campo e das comunidades tradicionais — e que essa é uma peça central para garantir condições dignas de existência e saúde no cotidiano das brasileiras.
No Nordeste, diversas organizações sociais, coletivos feministas e sindicatos estão convocando atos e manifestações em cidades importantes da região:
Na Região do Cariri acontece uma manifestação no dia 9 de março segunda-feira com concentração em frente à prefeitura do Crato que sairá em uma caminhada pelas ruas da cidade. A manifestação tem várias pautas como o fim da violência contra a mulher e a defesa da Chapada do Araripe.
A mobilização de rua do 8 de março em Fortaleza será realizada neste ano na Barra do Ceará, bairro da periferia da capital. O ato está marcado para as 14h, com concentração no Projeto 4 Varas, na Rua Dr. José Roberto Sales, 44. A escolha do local, fora do eixo tradicional das mobilizações no Centro, busca aproximar a jornada de luta das mulheres trabalhadoras dos territórios populares.
Salvador (BA) terá ato contra a violência de gênero e a escala 6×1 em espaços públicos, com participação de movimentos sociais e artistas populares, fortalecendo a presença das mulheres na luta por direitos e segurança.
Palmas (TO), na Feira da Aureny I, mulheres organizadas em frentes políticas vão ocupar a manhã do 8M para denunciar a jornada exaustiva e cobrar ação política efetiva.
No Rio de Janeiro, movimentos estão mobilizando na Praia de Copacabana (Posto 3) para um “Ato 8M” unificado com a pauta pelo fim da versão 6×1, contra o feminicídio e por políticas públicas que garantam direitos fundamentais.
As mulheres do Distrito Federal e do Entorno estão convocadas a ocupar as ruas neste 8 de março. Em Brasília, o Dia Internacional de Luta das Mulheres será marcado por um ato político-cultural, com concentração a partir das 13h no Eixo Cultural Ibero-Americano. A partir das 15h, a mobilização segue em marcha em direção ao Palácio do Buriti.
Um ato vai reunir mulheres, trabalhadoras, feministas, coletivos e organizações que queiram construir e organizar um grande 8 de março de 2026 no RS e em Porto Alegre. 9h30 com concentração: Praça dos Açorianos. Em marcha até a Praça do Aeromóvel
Em outras partes do Brasil, como em São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso, coletivos, sindicatos e trabalhadoras também se mobilizam com marchas, debates públicos e ocupações de espaços estratégicos para ampliar o debate sobre a necessidade de redução da jornada de trabalho sem redução salarial, garantindo mais qualidade de vida às mulheres e a todo o conjunto da classe trabalhadora.
Essa data de luta — que tem raízes históricas nas marchas das trabalhadoras por direitos no início do século XX — ganha hoje um caráter plural e reivindicatório, onde o grito por fim da escala 6×1, por fim da violência e do feminicídio, por igualdade econômica e política e por vida digna ecoa desde as grandes capitais até as periferias e pequenas cidades brasileiras.