23 de abril de 2026
Pentágono admite ao Congresso que não havia indício de ataque prévio do Irã e amplia críticas à guerra iniciada por Trump

Teerã, Irã, após ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro de 2026 (Foto: Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS)

Autoridades do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiram em reuniões reservadas com integrantes do Congresso que não havia informações de inteligência indicando que o Irã planejava atacar primeiro forças norte-americanas. A revelação ocorre em meio à guerra  iniciada no fim de semana e levanta questionamentos sobre a justificativa apresentada pela Casa Branca para a ofensiva militar.

As informações foram publicadas pela agência Reuters, que ouviu duas pessoas com conhecimento direto das reuniões. Segundo as fontes, o reconhecimento foi feito no domingo, em briefings conduzidos pelo Pentágono a parlamentares democratas e republicanos de comissões de segurança nacional da Câmara dos Representantes e do Senado.

No sábado, Estados Unidos e Israel lançaram a mais ampla operação militar contra o Irã em décadas. Os ataques mataram o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, atingiram mais de mil alvos e afundaram embarcações militares iranianas. A ofensiva deve se estender por semanas, segundo avaliações..

No dia anterior aos briefings, integrantes do alto escalão do governo haviam afirmado a jornalistas que Trump decidiu autorizar os ataques, em parte, diante de indícios de que o Irã poderia agir “talvez preventivamente” contra forças americanas na região. Um dos funcionários declarou que o presidente não ficaria “de braços cruzados enquanto as forças americanas na região absorviam os ataques”.

Contudo, nas reuniões a portas fechadas que duraram mais de 90 minutos, representantes do Pentágono destacaram que, embora os mísseis balísticos iranianos e forças aliadas de Teerã representassem ameaça aos interesses dos Estados Unidos, não havia informação de  inteligência apontando para um ataque preventivo iraniano contra tropas norte-americanas, segundo relataram as duas fontes à Reuters, sob condição de anonimato.

O porta-voz da Casa Branca, Dylan Johnson, havia informado anteriormente que autoridades do Departamento de Defesa atualizariam congressistas sobre o andamento da operação militar.

Trump sustenta que a campanha militar tem como objetivos impedir que o Irã obtenha armas nucleares, conter seu programa de mísseis e eliminar ameaças aos Estados Unidos e a seus aliados. Ele também incentivou a população iraniana a se levantar contra o governo de Teerã.

Democratas falam em “guerra de escolha”

Parlamentares democratas passaram a criticar duramente a decisão do presidente dos Estados Unidos, classificando a ofensiva como uma “guerra de escolha”. Eles também questionam os argumentos usados pela Casa Branca para abandonar negociações de paz que, segundo o mediador Omã, ainda apresentavam possibilidade de avanço.

Trump afirmou, sem apresentar evidências públicas, que o Irã estaria próximo de adquirir capacidade para lançar um míssil balístico contra o território norte-americano. De acordo com fontes familiarizadas com relatórios de inteligência ouvidas pela Reuters, essa alegação não foi respaldada pelos informes das agências dos Estados Unidos e teria sido exagerada.

As dúvidas sobre a base da decisão militar ganharam força após o anúncio das primeiras baixas norte-americanas no conflito.

Três militares mortos e cinco feridos

O Comando Central dos Estados Unidos informou no domingo que três militares norte-americanos morreram e cinco ficaram gravemente feridos. Outros soldados sofreram ferimentos leves causados por estilhaços e concussões.

Desde o início das operações de grande escala ordenadas por Trump, aeronaves e navios de guerra dos Estados Unidos atingiram mais de mil alvos iranianos, segundo o Exército. Entre as ações, bombardeiros furtivos B-2 lançaram bombas de cerca de 900 quilos contra instalações subterrâneas de mísseis do Irã.

Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada no domingo aponta que 27% dos norte-americanos aprovam os ataques, enquanto 43% desaprovam e 29% afirmam não ter posição definida sobre a ofensiva militar.

Com informações do Brasil 247