
- O vice-governador de SP, Felício Ramuth (à direita), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (centro) e Gilberto Kassab - Foto: Redes sociais/Reprodução
O vice-governador de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, Felício Ramuth (PSD), está sob a lupa das autoridades europeias. Uma investigação conduzida em Andorra apura uma suposta operação de lavagem de dinheiro envolvendo o político e sua esposa, Vanessa Ramuth. O montante sob suspeita chega a US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões), rastreados em contas no principado situado entre a França e a Espanha. A informação foi dada com exclusividade pelo portal Metrópoles.
A cronologia detalhada pelos órgãos de controle mostra que as movimentações financeiras ocorreram entre 2009 e 2011. Naquela época, Ramuth ocupava o cargo de secretário de Transportes em São José dos Campos, reduto político onde posteriormente viria a ser prefeito.
Contradição Patrimonial
O caso ganha contornos políticos sensíveis devido à declaração de bens entregue por Felício Ramuth ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pleito de 2022. Na ocasião, o braço vice de Tarcísio de Freitas informou possuir um patrimônio total de R$ 1,4 milhão. O documento oficial não fazia menção a qualquer ativo, conta bancária ou empresa em solo estrangeiro, contrastando com os valores agora revelados na Europa.
Recentemente, o desdobramento chegou aos tribunais superiores brasileiros. No início de 2025, o Judiciário de Andorra acionou o Ministério da Justiça do Brasil via cooperação internacional. O processo agora tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em outubro do ano passado, o casal Ramuth viajou pessoalmente ao principado para prestar esclarecimentos.
O Outro Lado
Em resposta às informações divulgadas pelo Metrópoles, Felício Ramuth negou qualquer irregularidade. O vice-governador sustenta que o capital acumulado é fruto de atividades lícitas e que as informações foram devidamente reportadas ao fisco brasileiro.
“Os recursos existem, tem origem licita, inclusive anterior à minha trajetória politica, e estão devidamente declarados”, afirmou.
A defesa do político argumenta que o foco das autoridades europeias recai sobre os procedimentos do banco AndBank, e não sobre a conduta pessoal do casal. Com base nos depoimentos já realizados no exterior, os advogados de Ramuth buscam agora o arquivamento da cooperação jurídica no STJ, alegando que os fatos já foram devidamente explicados.
Fonte: Revista Fórum