
Ilustração: Desenvolvido com Apoio de IA
COLUNA O VERBO FEMININO
POR ÍRIS TAVARES
Desde pequenina nos ensinaram a admirar e enaltecer a nobreza e graças a literatura infantil, que construiu no nosso imaginário a ilusão de um paraíso na terra – o reino do faz de conta – porém, ainda hoje, prevalece sobre as estruturas podres da realeza e das novas oligarquias. A vida palaciana tem seu carnaval de horrores que se arrasta faz séculos e se mistura no cotidiano, fora dos castelos e dos limites de uma terra de vassalos onde predomina a servidão. Isso não se trata de uma lenda, muito menos é uma história da carochinha. É a aldrabice de um sistema corrosivo, anti-humano que escolheu a escravização, a perversão, o crime e a corrupção como égide dessa organização, cujos tentáculos estão para além do imaginável. O famoso escritor inglês, William Shakespeare, nascido em 1564. Escreveu na sua obra clássica, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar”. As mulheres e as crianças da realeza e da escravidão, tratadas como objetos do tráfico humano que serve aos interesses do velho e do novo patriarcado.
O príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, filho da falecida rainha Elizabeth da Inglaterra, um predador, prostituto e canibal foi detido, somente agora. Foi preso por fazer parte da rede de tráfico humano e a prostituição de menores e vulneráveis de Epstein. Na verdade, a comoção global em torno do tráfico de crianças e das mulheres que foram noticiadas nos meios de comunicação e nas redes sociais foi determinante para o desfecho dessa trama. Quando afirmamos que há uma guerra declarada contra as meninas, ainda há quem diga que estamos exagerando, todavia os fatos evidenciam que não estamos e nem criamos uma narrativa para nos vitimizar. Não é?
Sobre as meninas torturadas, estupradas, prostituídas e manipuladas, nós queremos e exigimos justiça para todas. O príncipe é tão somente uma parte do caroço desse angu. A rede foi bem montada e tem seus sustentáculos no mundo globalizado onde a mais valia se concentra na venda dos corpos das pessoas, que segundo alguns estudiosos do tráfico humano, um corpo pode ser vendido mais de uma vez e pode chegar até dez vezes comercializado. E você? Cara leitora, o que acha de tudo isso?! Pode se colocar no lugar das vítimas? Difícil, não é?!
Podemos imaginar quantas meninas brasileiras fizeram parte desse suplicio. Talvez por uma promessa de gloria nas passarelas, pelo seu ingresso no mundo da moda, conhecer um príncipe, aquele de sangue azul e parente do príncipe que com um beijo despertou a “bela adormecida”, e, foram felizes para sempre. Senão o desespero de viver em um ambiente de dor e sofrimento, sem esperança e a compaixão daqueles que deveriam orientar, acolher e amar suas meninas e meninos. Quanto do sangue desses inocentes escorrem nas nossas mãos?! Quantas de nós aplaudimos e defendemos as figuras bizarras que se apresentam como semideuses, cientistas, imperialistas, príncipes, empresários, artistas e outras máscaras que disfarçam a personalidade grotesca e impiedosa de um predador. Parem de nos matar!