
Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) feito a partir de dados oficiais relativos ao período de dezembro de 2014 e outubro de 2025 põe por terra os preconceitos e mitos alimentados pela extrema-direita sobre o Bolsa Família. A pesquisa demonstra que nesses dez anos, 60,68% dos beneficiários deixaram o programa.
Intitulado “Filhos do Bolsa Família: Uma análise da última década do programa”, o levantamento também atesta que, entre os jovens e adolescentes que conseguem oportunidades com carteira assinada, quase 80% (79,4%) preferem deixar de receber o benefício para conquistarem um trabalho formal registrado.
Nessa década avaliada pelos pesquisadores da FGV com o apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a taxa mais elevada de saída para os que eram adolescentes em 2014 variou de 68,8% (faixa de 11–14 anos) e 71,25% (15–17 anos).
A FGV descobriu ainda que, nos últimos três anos, 31,25% dos brasileiros atendidos pelo Bolsa Família deixaram o programa. Entre jovens de 2023 com 15-17 anos (17-19 em 2025) a taxa é ainda maior: 42,59%.
Nesse período, em média houve mais saídas mensais (447 mil) do que entradas (359 mil).
👉🏽 Preconceito de classe
Criado em 2003, no primeiro ano do primeiro mandato de Lula na Presidência, o Bolsa Família sempre foi alvo de críticas sem fundamento dos que não se conformam com a ascensão social garantida pelos programas de distribuição de renda e combate às desigualdades.
Nos últimos anos, com a ascensão da extrema-direita e do bolsonarismo, esse preconceito de classe se tornou ainda mais escancarado. Basta ver os exemplos abaixo:
🤮 “O Brasil está vivendo um desastre na contratação. As pessoas estão viciadas no Bolsa Família. Elas preferem ganhar pouco para não fazer nada do que trabalhar e ganhar um pouco mais”, disse em 2024, Ricardo Faria, dono da Granja Faria conhecido como o “Rei do Ovo”.
🤮 “O Bolsa Família, do jeito que é feito, estimula a preguiça e destrói a vontade de crescer do brasileiro”, Luciano Hang, dono da Havan e bolsonarista convicto.