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Com mobilizações em São Paulo, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais sindicais comemoraram, nesta quinta-feira (5), a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores e trabalhadoras que recebem até R$ 5 mil por mês. Além de celebrar a medida, os atos marcaram o início de uma nova etapa de mobilização do movimento sindical, que passa a concentrar forças no fim da escala 6×1 e na redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
As atividades começaram nas primeiras horas da manhã, com ato realizado às 8h em frente à MWM Motores, na Avenida das Nações Unidas, no bairro de Santo Amaro. Em seguida, às 10h30, a mobilização seguiu para a Baxter Hospitalar, localizada na Avenida Eusébio Stevaux, no Jardim Campo Grande, onde dirigentes dialogaram diretamente com trabalhadores e trabalhadoras.
Durante as atividades, lideranças sindicais explicaram os impactos práticos da nova política tributária, que já começa a ser sentida nos contracheques a partir deste mês de fevereiro por quem recebe até R$ 5 mil brutos. A medida foi aprovada pelo Congresso Nacional no fim de 2025 e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cumprindo um compromisso assumido durante a campanha eleitoral.
Para o secretário-geral da CUT, Renato Zulato, a isenção do Imposto de Renda representa uma conquista histórica da classe trabalhadora, fruto de anos de mobilização. Segundo ele, sindicatos e centrais sindicais pressionaram o governo e o Congresso em diversas marchas e negociações. “Foram anos de luta pela atualização da tabela do Imposto de Renda. Essa vitória só foi possível graças à unidade do movimento sindical e à mobilização permanente dos trabalhadores”, afirmou.
Zulato destacou ainda a importância de levar informação diretamente à base. “A grande mídia tem dado pouco espaço a essa conquista e, muitas vezes, não reconhece que ela é resultado da luta da classe trabalhadora. Por isso, estamos indo às fábricas, aos locais de trabalho, para dialogar e explicar o que muda na vida das pessoas”, disse. Ele reforçou que a mobilização desta quinta-feira também simboliza o início de uma nova fase de pressão por avanços estruturais nas relações de trabalho.
Entre as principais bandeiras colocadas na agenda sindical estão o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução de salários. “Esse será o nosso grande desafio ao longo do ano. Vamos orientar os sindicatos a incorporarem essas pautas nas negociações coletivas e mostrar ao Congresso que essa é uma demanda popular e nacional”, afirmou Zulato, lembrando que recentemente também houve ações em estações de metrô em diversas cidades do país.
O secretário-geral da CUT-SP, Daniel Calazans, classificou a isenção como uma vitória histórica e destacou seus impactos econômicos e sociais. “Estamos em festa. Essa era uma reivindicação antiga e agora se concretiza, com isenção até R$ 5 mil e redução gradativa até R$ 7.350. Isso significa mais consumo, mais emprego e mais qualidade de vida para os trabalhadores”, avaliou.
Calazans ressaltou que o benefício alcança trabalhadores do campo e da cidade, do setor público e privado. “Mesmo com uma bancada dos trabalhadores menor no Congresso, avançamos. No Brasil, quem sustenta a carga tributária é a classe trabalhadora, enquanto muitos milionários sequer pagam imposto”, criticou.
Representando a Secretaria de Relações Internacionais da Confederação Nacional do Ramo Químico de São Paulo, Elaine Blefari também destacou o caráter coletivo da conquista. “Estamos nas ruas, dialogando com nossa base nos ramos químico e metalúrgico, explicando a importância dessa redução do imposto. Essa vitória não veio de graça. Ela é fruto da luta organizada da CUT, das centrais e dos sindicatos”, afirmou.
Ela reforçou que o movimento sindical já tem um novo objetivo claro. “A próxima grande batalha é o fim da escala 6×1. Essa é a próxima conquista que queremos arrancar com mobilização e unidade”, concluiu.