
Foto: Arquivo ( Marcela Carneiro)
A Semana Pedagógica das Escolas do Campo do Estado do Ceará configurou-se como um importante espaço de formação, diálogo e reafirmação política do projeto de Educação do Campo, reunindo educadoras e educadores, gestores, estudantes e representantes de movimentos sociais do campo. O encontro evidenciou o compromisso coletivo com uma educação pública, crítica e socialmente referenciada, enraizada nos territórios camponeses e orientada pela defesa da vida, da terra e dos saberes populares.
Um dos pontos centrais debatidos durante a Semana Pedagógica foi a criação da Lei de Institucionalização da Educação do Campo, marco histórico que reconhece, no âmbito legal, as especificidades pedagógicas, culturais e sociais das escolas do campo no Ceará. Essa conquista representa o resultado de uma longa trajetória de luta dos sujeitos do campo e de seus movimentos, garantindo maior segurança jurídica, continuidade das políticas públicas e fortalecimento das práticas educativas que dialogam com a realidade camponesa.
As discussões também evidenciaram experiências exitosas em agroecologia desenvolvidas nas escolas do campo, que têm se consolidado como práticas pedagógicas integradoras. Hortas escolares, quintais produtivos, viveiros de mudas, sistemas agroflorestais e o resgate de sementes crioulas foram apresentados como estratégias educativas que articulam conhecimento científico e saberes tradicionais. Essas experiências contribuem não apenas para a soberania alimentar, mas também para a formação crítica dos estudantes, fortalecendo a relação entre escola, comunidade e território.
Nesse contexto, a politecnia foi amplamente debatida como princípio orientador do Ensino Médio Integrado e da Educação do Campo. A politecnia se expressa na articulação entre trabalho, ciência, cultura e tecnologia, superando a fragmentação do conhecimento e promovendo uma formação humana integral. As práticas agroecológicas desenvolvidas nas escolas exemplificam essa concepção, ao integrar conteúdos das ciências da natureza, das ciências humanas e da formação técnica, vinculando teoria e prática a partir das necessidades concretas do campo.
A Semana Pedagógica reafirmou, assim, que a Educação do Campo no Ceará não é apenas uma modalidade educativa, mas um projeto político-pedagógico de transformação social, que reconhece o campo como espaço de produção de conhecimento, cultura e vida. Ao fortalecer a institucionalização, valorizar experiências agroecológicas e aprofundar a concepção da politecnia, as escolas do campo seguem construindo caminhos para uma educação emancipadora, comprometida com a justiça social e com o futuro das populações camponesas.