
Foto: AL-CE/Márcia Foletto
Podemos começar abrindo um parágrafo para dizer o óbvio sobre pesquisas eleitorais, que a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada pelo Grupo CN7 nesta quinta-feira, 22, mostra o cenário atual, que ainda tem muita água a passar por baixo da ponte eleitoral no Ceará e que nada está decidido. Concordamos. Mas, o levantamento feito pelo Paraná Pesquisas mostra sinais de alerta para o petismo no Ceará. E também para o candidato tucano Ciro Gomes. E mostra que a disputa será duríssima.
O recado para o PT é que o governador Elmano de Freitas (PT) precisa chegar nas convenções partidárias de 2026 lá pelo mês de julho com um amplo palanque. Precisa confirmar apoios do PSB, PSD, MDB e de quebra e, se possível, da federação União Brasil e PP. Precisa ainda fazer as entregas que prometeu ao povo cearense (como ele mesmo diz em seus discursos) e articular ainda mais com o interior do Estado, incluindo a Região do Cariri.
Mais ainda, precisa dar uma incrementada em sua comunicação, dando um olhar especial para as redes sociais onde perde feio para a turma do Ciro Gomes que dá o tom. Aliás, essa é uma lição para o PT nacional também que tem momentos críticos em que mesmo em temas favoráveis ao governo Lula perde o protagonismo nas redes. Isso é falta de leitura política e estratégia. E já é um debate antigo feito na esquerda brasileira.
Outro ponto para Elmano: hora de ampliar as articulações políticas cidade por cidade. E mais ainda, para espantar essa história de que Camilo Santana pode ser candidato ao Governo do Ceará substituindo Elmano seria interessante o senador vir ao Ceará reunir lideranças e dizer como vai ser a eleição de 2026. Isso acabaria rumores e até espaço para setores da oposição ficarem espalhando que Elmano não é candidato e, sim, Camilo. Não pode mais haver dúvidas sobre quem é o candidato do PT ao governo e não pode mais Elmano ficar repetindo que é ele mesmo o candidato.
O recado para Ciro Gomes é que mesmo com essa vantagem inicial o palanque precisa também ser ampliado, e precisa esmerar o discurso, ou seja, qual vai ser mesmo o discurso de Ciro Gomes? O que tem proliferado é ele apenas dizendo que o povo cearense está desesperado e com medo por causa da segurança pública. Esse discurso é bolsonarista, ampliar o medo para vender a solução, e inócuo, pois nem todo cearense pensa dessa forma. Lógico que a segurança pública é um problema e pode até ser o carro chefe da campanha, mas precisa de proposta e apresentação de caminhos e soluções, o sensacionalismo reduz o debate. Outra tática de Ciro que temos visto é acusar o PSB de seu irmão Cid Gomes de ser corrupto? É isso mesmo?
A favor de Elmano algo que Ciro Gomes não tem: militância política. O petismo em campanha sempre mostra força, é hoje uma força viva no Brasil e o partido político que ganhou mais filiados em 2025. A militância do PT, e dos movimentos sociais pode fazer a diferença e ser um elemento a favor do governador. Sem falar do envolvimento e apoio a ampla maioria dos prefeitos cearenses.

Um destaque da pesquisa é a forte aceitação de Lula entre os cearenses, com uma aprovação alta do presidente e no primeiro cenário apresentado, Lula aparece com 52,9% das intenções de votos, seguido por Flávio Bolsonaro com 26,2%.
A liderança de Lula no Ceará está consistente com padrões observados em pesquisas anteriores e com o histórico eleitoral do estado, que tem sido um reduto petista nas últimas eleições presidenciais.
Os percentuais acima de 50% nos cenários estimulados indicam um forte potencial de recuperação e consolidação do voto presidencial no Ceará para Lula.
O presidente Lula aparece como a mais forte liderança nacional no Ceará, com melhor aprovação e melhor desempenho eleitoral chegando ao dobro dos votos do segundo colocado.
Lula pode ser e deve assim ser utilizado pela campanha de Elmano de Freitas como o ponto de inflexão, ou seja, o ponto em que o candidato do PT pode sair da segunda colocação e tentar virar o jogo. Usar o nome de Lula no contexto da campanha cearense que terá caráter nacional já deve estar sendo pensado por Elmano e sua equipe. E isso pode ser usado como uma vantagem.
No aspecto da campanha cearense com caráter nacional o nome do PSDB deve ter mais calma. Ciro sabe que se apresentar de forma adiantada seu nome a presidente da República, como por exemplo, Flávio Bolsonaro vai atrair contra seu nome todo o eleitorado cearense que rejeita Bolsonaro e não são poucos. Ciro precisa nesse aspecto fugir do fato de que a campanha no Ceará terá caráter nacional, a não ser que surja um nome de direita forte que possa fazer frente ao bolsonarismo, o que até agora parece improvável.
Em resumo, a pesquisa mostra que a liderança de Ciro é significativa, com uma vantagem de mais de dez pontos sobre o governador petista, sinalizando que sua candidatura tem apelo no eleitorado estadual neste momento inicial da corrida. A pesquisa também mostra simulação de segundo turno, onde Ciro ampliaria a vantagem, o que pode indicar maior competitividade estrutural da sua campanha perante eleitores de outros espectros.
O alto percentual de indecisos e votos em branco/nulo, especialmente na pesquisa espontânea, sugere que o quadro ainda está bastante fluido e pode mudar ao longo da campanha conforme alianças forem definidas e estratégias se afunilarem.
E nesse aspecto (de muitos indecisos) o governador Elmano de Freitas pode usar a seu favor azeitando a máquina estadual, as articulações políticas e ampliando sua visibilidade.
Mesmo bem na pesquisa Ciro Gomes não tem na corrida pelo Senado toda essa vantagem. Dos quatro principais nomes na corrida ao Senado do Ceará aparece Capitão Wagner, mas em seguida vem Eunício Oliveira, Luizianne Lins e Júnior Mano. Três nomes da base aliada. E Wagner é conhecido como o famoso cavalo paraguaio, começa bem e no final perde. Assim tem sido nas eleições que participou. Já o outro nome da oposição que aparece ao senado é Alcides Fernandes, bolsonarista raiz que fica na quinta colocação.
Lembrando que os cenários apresentados dependem fortemente dos nomes colocados e podem não refletir dinâmicas futuras com alianças, debates e eventos políticos ao longo de 2026. Muita coisa ainda pode e deve acontecer.
A pesquisa ouviu 1.502 eleitores em 68 municípios, entre os dias 17 e 21 de janeiro. O grau de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pelo grupo Ceará News 7, do jornalista Donizete Arruda.