14 de março de 2026
p.1 - Os brasileiros têm muito para comemorar o Natal

Imagem: Leia Sempre Brasil (arte gerada com inteligência artificial – Gemini)

O Natal é, tradicionalmente, um tempo de esperança, partilha e renovação. Tempo para a gente refletir sobre nossos caminhos e os caminhos da sociedade que vivemos. Tempo para pensar, refletir e planejar os próximos passos. E tempo para reverenciar, quem é cristão, o personagem mais importante que é Jesus cristo.

Mas, ao olhar para o Brasil de hoje, a pergunta que se impõe é direta e necessária: os brasileiros têm, de fato, muito a comemorar neste Natal? A resposta não é simples — ela exige reflexão sobre a realidade econômica, o funcionamento da democracia, as lutas do povo brasileiro por melhores dias e democracia plena, as decisões do Congresso Nacional e os desafios éticos que seguem marcando a vida pública.

A situação econômica do Brasil nos dias atuais é marcada por contrastes e desafios estruturais que afetam de forma diferente os diversos setores da sociedade.

De um lado, o país apresenta sinais de estabilidade macroeconômica. A inflação está relativamente controlada em comparação a períodos recentes, o câmbio segue sob vigilância, e o Brasil mantém reservas internacionais robustas. Alguns setores — como o agronegócio, a mineração e partes da indústria de exportação — continuam sustentando o crescimento e garantindo entrada de divisas.

Por outro lado, essa estabilidade nem sempre se traduz em melhoria concreta na vida da população. O crescimento econômico ocorre de forma desigual. O custo de vida segue elevado, especialmente para itens essenciais como alimentos, energia, transporte e moradia. Para as famílias de baixa renda, o orçamento continua apertado, e o endividamento é uma realidade crescente.

O mercado de trabalho apresenta avanços e limites. Há geração de empregos, mas grande parte das vagas é marcada pela informalidade, baixos salários e pouca proteção social. O trabalho precário ainda é a única alternativa para milhões de brasileiros, o que compromete o poder de compra e a segurança econômica no longo prazo.

Em sua entrevista recente o presidente Lula (PT) afirmou que o que o Brasil precisa é colocar a maioria ampla da população no orçamento e na economia, ou seja, com a promoção de empregos, mais renda e a economia funcionando plenamente.

O governo Lula acerta na execução de políticas públicas e sociais em várias áreas, mas precisa agora ir além dos números de vagas criadas e investir em empregos de qualidade. Valorizar o salário mínimo acima da inflação, estimular a indústria nacional, a construção civil e a economia verde, garantindo trabalho formal e proteção social.

Outro ponto importante é criar políticas específicas para trabalhadores por aplicativo, autônomos e informais, garantindo previdência, renda mínima e acesso a crédito barato. Trabalho sem direitos aprofunda a desigualdade.

No campo político cobrar transparência total do Congresso Nacional e defender publicamente regras rígidas para as emendas parlamentares, com rastreabilidade, fiscalização e critérios sociais claros. Dinheiro público precisa servir ao povo, não a acordos políticos obscuros.

A desigualdade social continua sendo um dos maiores entraves ao desenvolvimento. Mesmo com programas de transferência de renda e políticas de inclusão, o Brasil ainda convive com uma concentração significativa de riqueza, o que limita o crescimento sustentável e aprofunda tensões sociais.

No campo da democracia e dos direitos do povo, o cenário também inspira atenção. As votações no Congresso Nacional, muitas vezes, parecem distantes dos interesses reais da população. Projetos que afetam diretamente a vida dos trabalhadores, dos mais pobres e dos serviços públicos nem sempre são debatidos com a transparência e a participação social necessárias. A sensação de que decisões importantes são tomadas sem ouvir o povo fragiliza a confiança nas instituições e esvazia o sentido da representação democrática.

O congresso formado por maioria de político milionários e ligados a setores empresariais fortes insiste em não votar projetos importantes para os trabalhadores como o fim da escala 6X1.

Enquanto isso, persistem críticas à forma como recursos públicos são distribuídos, especialmente no uso de emendas parlamentares, que muitas vezes carecem de transparência e critérios técnicos. Um dos pontos mais sensíveis desse debate é a corrupção associada às emendas parlamentares, especialmente as chamadas “emendas PIX”. Criadas para dar agilidade ao repasse de recursos, elas passaram a ser alvo de críticas e denúncias acertadas pela falta de transparência, critérios claros e fiscalização efetiva. Quando o dinheiro público não é acompanhado de controle rigoroso, abre-se espaço para desvios, favorecimentos políticos e uso eleitoral de recursos que deveriam atender às necessidades coletivas — saúde, educação, infraestrutura e assistência social.

A verdade é que temos um congresso que não tem vergonha alguma de votar projetos como a PL da Blindagem e a Dosimetria, tentando salvar da cadeia os que tentaram dar um golpe de estado nas instituições e destruir nossa democracia.

No campo das contas públicas, o governo enfrenta forte pressão para equilibrar responsabilidade fiscal e políticas sociais. O debate sobre gastos, teto fiscal, arrecadação e reforma tributária segue no centro da agenda econômica.

Além disso, persistem outros temas estruturais que desafiam o país: a desigualdade social, o racismo estrutural, a violência de forma geral, a morte de mulheres por feminicídio, a crise ambiental e a dificuldade de acesso a direitos básicos. São problemas antigos, mas que continuam exigindo respostas urgentes e compromisso real do Estado e da sociedade.

Diante desse quadro, o Natal no Brasil não pode ser apenas um momento de consumo ou discursos vazios. Ele precisa ser um tempo de consciência, solidariedade e cobrança cidadã. Celebrar o Natal é, também, reafirmar o desejo de um país mais justo, com economia a serviço das pessoas, política guiada pelo interesse público e respeito absoluto ao dinheiro e aos direitos do povo.

Talvez o Brasil não tenha tudo a comemorar. Mas tem, sim, muito a refletir, corrigir e transformar. E é nessa esperança crítica — que não se conforma, mas acredita — que o verdadeiro sentido do Natal pode encontrar lugar entre os brasileiros.