14 de março de 2026
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EDITORIAL

Pelo fim da violência que atinge mulheres no Ceará e no Brasil

Estamos em pleno século XXI mas na sociedade brasileira ainda persiste uma chaga que não sara: a violência que atinge milhões de mulheres todos os anos. Os números são concretos.

Segundo site do Senado Federal: “marcando os 20 anos do Instituto de Pesquisa DataSenado, a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. O levantamento, que completa 20 anos e se tornou a mais longa série histórica do país sobre o tema, ouviu mais de 21 mil mulheres entre maio e julho deste ano”.

A violência contra as mulheres no Brasil permanece como um dos desafios mais urgentes e dolorosos da nossa sociedade. Apesar de avanços legais e de uma crescente conscientização pública, os índices de agressões físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais continuam alarmantes, evidenciando um problema estrutural profundamente enraizado na cultura e nas relações sociais.

 

Todos os dias, milhares de mulheres enfrentam situações de risco dentro e fora de casa. A violência doméstica, praticada em grande parte por companheiros ou ex-companheiros, segue como a forma mais recorrente, revelando como o espaço que deveria oferecer segurança acaba se tornando o local mais perigoso. O feminicídio — expressão máxima dessa violência — coloca o Brasil entre os países com maior número de assassinatos de mulheres motivados por gênero, segundo rankings internacionais.

Além da violência física, muitas mulheres convivem com ameaças, humilhações, perseguições e controle financeiro, que são formas igualmente graves de opressão. O impacto emocional e social dessas agressões se estende para além das vítimas diretas, afetando famílias inteiras, comunidades e o desenvolvimento do país.

Políticas públicas como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio representam conquistas importantes, mas sua efetividade depende de implementação rigorosa, acolhimento adequado e investimento constante em prevenção. Delegacias especializadas, centros de atendimento, campanhas educativas e redes de proteção precisam ser fortalecidos para que mais mulheres se sintam seguras para denunciar e reconstruir suas vidas.

A superação da violência exige também uma mudança cultural profunda. É fundamental combater o machismo estrutural, promover a igualdade de gênero desde a infância e responsabilizar agressores com rigor. A sociedade como um todo — Estado, escolas, famílias, mídia e comunidade — deve assumir protagonismo na construção de um ambiente mais justo e seguro para todas.

Falar sobre violência contra as mulheres é, acima de tudo, reafirmar o direito básico à vida, ao respeito e à liberdade. É um chamado urgente para que cada pessoa reconheça seu papel na defesa dessas vidas e na transformação de uma realidade que não pode mais ser tolerada.

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