7 de março de 2026
p.24

Ilustração: Leia Sempre BRasil (Desenvolvida com IA)

Por José Oberdan Leite
Professor

Escutando vários comentários sobre os conflitos de sala de aula, o comentário de uma professora me chamou atenção sobre uma determinada aluna:

– Essa menina estando em sala ou estando fora da sala de aula é a mesma coisa!

Lembrei-me de Padre Paulo, um eterno professor de literatura do Colégio Santo Antônio que me fizera eternizar Gregório de Matos e que, em uma de suas obras, eu destaco uma frase relacionada ao braço da estátua do menino Jesus que desaparecera: “O todo sem a parte não é todo, a parte sem o todo não é parte”.

Mesmo que um determinado aluno pareça ser uma parte muito pequena de nossas vidas de docentes, não deixa de ser um grande exercício à nossa formação profissional. A aluna, por exemplo, que passa em nossas vidas quase despercebida por não participar constantemente das atividades em sala, por não ser resultado de excelentes notas, por não ser destaque na escola é-nos colocada como sendo uma missão em busca da resolução dos problemas de aprendizagem que ela demonstrava ter.

Quando qualquer aluno se torna grande sabedor de nossos ensinamentos ele detém boa parte de nossos princípios de humanização a que tanto velamos. Ele passa a ser uma parte de nosso todo. Quando qualquer aluno se torna pouco sabedor dos nossos ensinamentos, ele também detém parte de nossos princípios de humanização e faz parte do nosso todo.

Se no processo ensino/aprendizagem separamos a parte do todo, os nossos conflitos profissionais se resumem na impossibilidade de praticar bons resultados. Aí o todo se desfaz. Fica faltando um pedaço ao todo que pretendemos profissionalmente ser, caso não haja a existência daquela parte a que chamamos de aluno e que é grande contribuinte e parceiro da nossa arquitetura educacional.

Se eu ignoro essa temática em questão eu mato Gregório de Matos em seus ensinamentos que tinha uma visão holística sobre partes. Quando o braço do menino Jesus fora encontrado, ele encerrou dizendo: “Não se sabendo parte desse todo, um braço que lhe acharam, sendo parte, nos disse as partes todas desse todo”.

Moral: O professor que firma a impotência de um aluno dá vida às suas próprias impotências.

 

SOBRE O AUTOR

José Oberdan Leite, barbalhense, é professor formado pela URCA-Universidade Regional do Cariri com formação também em Pedagogia (UCAM) e com Pós-graduação em Língua Inglesa (URCA), Língua Portuguesa (URCA), Psicopedagogia Escolar (FJN), Gestão Escolar Administração, Supervisão e Orientação (UCAM) e Liderança e Coaching (FMJ). Atualmente cursa mestrado acadêmico em Ciências da Educação pelo Instituto Educainter.  Atua como servidor público do estado do Ceará na EEMTI Alaide Silva Santos, Juazeiro do Norte-Ceará.Encontrou nas observações e vivências escolares cotidianas o ensino e o aprendizado para a vida.Hoje, tais experiências pedagógicas são transformadas em contos, a fim de que cada leitor, envolto pela esfera da consciência educacional, possa discutir casos, ampliar conhecimentos e transformar, com sabedoria, pessoas.