6 de março de 2026
TRE-CE revela provas contundentes de esquema político ligado a facções em Iguatu; julgamento é adiado com placar apertado

A desembargadora Maria Iraneide Moura, presidente do TRE-CE, pediu vistas do processo quando o placar era de 3 a 2 a favor cassação da chapa iguatuense. Foto: Ascom TRE-CE

O julgamento da ação de investigação judicial eleitoral (Aije) revelou provas graves e consistentes contra a chapa de Carlos Roberto Costa Filho (PSDB) e Antônio Ferreira de Souza (PSDB), investigados por abuso de poder econômico e ligação com organização criminosa nas eleições municipais de Iguatu, no Centro-Sul do Estado.

Durante a sessão no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE), os desembargadores Durval Aires Filho e Daniel Carvalho Carneiro apresentaram votos firmes e detalhados, apontando indícios de uma estrutura paralela de campanha criada para beneficiar os investigados — semelhante ao caso de Santa Quitéria, mas com provas ainda mais robustas.

Os magistrados ressaltaram que os autos indicam a existência de um núcleo clandestino de articulação política, comandado pela advogada Márcia Rubi Batista Teixeira, que operava em favor da chapa investigada, movimentando valores não declarados e cooptando lideranças locais com vínculos criminosos.

OPERAÇÃO POLÍTICA

Conforme o voto, o escritório da advogada funcionava como verdadeiro centro operacional da campanha, sendo frequentado pelo candidato nos fins de semana e feriados, o que comprova uma articulação constante.

O desembargador Durval Aires Filho classificou as provas como terríveis, claras como o sol. “Os R$ 10 mil transferidos são uma prova tão clara quanto esse sol lá fora. Não há como negar o que está documentado“, enfatizou.

Os votos também destacaram conexões diretas entre integrantes da campanha e pessoas ligadas a facções criminosas. Mensagens extraídas de celulares apreendidos revelam a atuação de cabos eleitorais Rosa Vidal de Lima e Sayonara Alves, ambas nomeadas em cargos públicos após a eleição — indício de retribuição política, segundo os autos.

ADIAMENTO POLÊMICO

Apesar da força das provas, o julgamento foi novamente adiado. A sessão foi interrompida por pedido de vistas da presidente do TRE-CE, desembargadora Maria Iraneide Moura Silva, quando o placar já marcava 3 a 2 pela cassação da chapa.

O caso ultrapassa os limites da disputa eleitoral. Está em julgamento a integridade do processo democrático, a moralidade pública e a credibilidade da Justiça Eleitoral.

A população de Iguatu e de todo o Ceará aguarda firmeza e coerência do Tribunal para encerrar o processo sem hesitação, assegurando que a verdade prevaleça sobre o poder e o medo.

Fonte: Opinião CE